01/09/2005

A alma em estados

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Sou perseguido pela depressão. Ela está obcecada por mim. Quer tornar-me sua. Mas eu não quero.

Estou casado com o stresse e sou irmão da ansiedade. A minha amiga fobia faz-me ter medo dela. E fico neuroticamente histérico só de pensar nela.

O meu corpo contorce-se no escuro, temendo a sua visita. Dói-me a barriga, com o arranhar das entranhas, em ebulição com a expectativa. Os suores frios dizem olá às insónias, que dormem sobre os olhos vermelhos vendo os segundos transmutados em minutos, em horas de impaciência.

Não tenho visto o pânico ultimamente, mas estou obsessivamente preocupado com o isolamento auto-imposto pelos estados maníacos de hiper-actividade. Poderá tornar-se imposto por outros, se o cansaço lhes chegar a atingir e a paciência lhes fugir.

Gostava de ser autista e viver no meu mundo, mas havendo outros autistas neste mundo, ele deixa de ser meu e nós de ser autistas.

Procuro ter vários pensamentos para evitar um pensamento recorrente, mas aí fico exausto, pois a memória de um pensamento já se tornou mais forte que os que com ele competem. Vitória de um pensamento, perdida por mim.

Fadiga, apatia, desânimo, mal-estar... parasitas que acompanham a depressão e se alimentam com ela. Querem levar-me o meu irmão mais novo: o optimismo.
Aquisição mais recente da família, mas também o mais fraco, imaturo e sensível. Tenho de lhe dar constantemente comida, pois não o sabe fazer sozinho.
Um dia será forte e se tornará polícia. Guardador de pensamentos. Zelará por mim.
Prenderá a depressão na masmorra mais funda e inacessível da minha memória.
Ocasionalmente poderá ser visitada pela amiga solidão. Mas apenas para lembrar que por ela existir, a alegria pode nascer, crescer e quem sabe um dia perseguir-me. Ficar por mim obcecada e eu tornar-me parte de si.

29/08/2005

Mas que raio de enchumaço era aquele?- Lisbon Soundz









Franz Ferdinand:
Junte-se 1) um guitarrista que provavelmente disse "um dia quando for grande quero ser um beatle e vestir roupas justas, versão queer anos 60", 2) um baixista versão estátua loura com pose de deus grego e a armar para o beto que toda a gente gozava na escola, 3) um baterista esquizofrénico cujos surtos se manifestam por batidas impacientes, sem conseguir estar mais de 5 segundos parado e finalmente 4) um Elvis versão esquelética, Ego-brit de veia narcísica e pseudo-Casanova... e tem-se a receita de um concerto de sucesso!

Tempo ainda para uma musica "never never never played before".
Faltou o "This fire" para pegar fogo a Lisboa (das poucas áreas do país que não arderam ainda...).
Apesar de tudo, conseguiram que uns resistentes gritassem por eles, mesmo depois de começar a música do "vai-te embora que o concerto já acabou e a gente quer arrumar esta treta".
Uma pergunta ficou por responder... Mas
que raio de enchumaço era aquele nas calças do vocalista? Contente por nos ver?... Ficará para a próxima a resposta. Nós também ficámos contentes de os ver.

Mogwai:
Um concerto quase-muito bom. Não animou os que esperavam pela electricidade dos Franz, mas de certeza preencheu muitas das medidas de quem ia lá para os ver também. A noite ajudou à magia e não foi preciso nenhum Harry Potter para isso (apesar da banda vir de terras de sua majestade também).
Estes senhores sabem mexer com sentimentos. Do calmo relaxante para o segundo seguinte de explosão de raiva. Catártico diriam alguns.
Até os compatriotas de saias (entenda-se escocesas) Franz Ferdinand os elogiaram. Boa!

Jimmy Chamberlain Complex:
Não, não é nenhum problema psicológico que
tenha, fez questão de frisar o senhor. É apenas um convite a se albergarem um tempo neste "complexo" e partilharem com eles da alegria de fazer música.
Sim, sim... já sabemos que gostam muito de Portugal e Lisboa é uma cidade maravilhosa. Já estamos fartos de ouvir isso. Até o Lenny Kravitz queria vir viver para cá e ter uma portuguesa que cuidasse dele (partilhado no SBSR do ano passado). O que a droga faz às pessoas...

Bunny Ranch:

Cheguei tarde, mas já sabia o que a casa gasta! Baterista com bicho carpinteiro que não sabe estar quieto, mas que em conjunto com a banda consegue transmitir esse bicho ao público. Há quem goste de mais do mesmo durante várias músicas... há quem vá buscar uma cerveja.
São portugueses e isso valoriza-os. Conseguiram
entrar num "festival de estranjas". Valeu!

28/08/2005

dEUS

Para terminar a trilogia de posts de reflexão "religiosa"... aqui fica uma sugestão de um novo álbum que pode ser ouvido sem fanatismos, mas que merece algum tipo de devoção:


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A sair em 12/09/2005

24/08/2005

Frases autobiográficas I - Eu sou um pecador... e tu vais-me tramar, não vais Deus?

Continuando a linha de reflexão religiosa do post anterior... há uma frase dos tempos da antiga rádio XFM/VOXX, que posso considerar quase como um lema de vida.
Umas vezes faz mais sentido, outras menos, mas de uma forma geral aplica-se. Venha ela:

Eu sou um pecador... e tu vais-me tramar, não vais Deus?


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23/08/2005

Um filme muito bom!... mas ao contrário.

A Ilha... Um filme muito bom!... mas ao contrário.

Mau seca seca seca seca seca Mau seca seca seca Mau seca seca seca Mau seca seca Mau seca seca seca Mau Mau seca seca seca Mau Mau seca seca Mau seca Mau seca seca Mau seca seca Mau seca seca seca Mau seca Mau seca Mau seca Mau seca Mau seca seca seca Mau seca Mau seca seca Mau seca seca seca Mau seca seca Mau seca seca Mau seca Mau seca seca seca Mau seca Mau seca seca Mau seca seca seca Mau seca seca seca seca seca Mau seca Mau Mau Mau

Bom... se calhar não é assim tanto...

Uma fala do filme vale a pena ser salientada. Foi qualquer coisa do género (não me lembro das palavras exactas):
- Quem é Deus?
- Bom... Costumas às vezes pedir ou desejar alguma coisa e ter fé de que as coisas se vão realizar?
- Sim.
- Deus é aquele que te ignora.

Ficarei à espera da sequela... A Península! Talvez tenha uma história mais coerente...

21/08/2005

Deleting isn't forgetting

Estava eu a fazer uma pesquisa para um trabalho (relações interpessoais e internet), quando encontrei um artigo sobre o assunto bastante interessante e actual. Vale meeeesmo a pena perder algum tempo a ler.

Zapping Old Flames Into Digital Ash
By ANNA BAHNEY, The New York Times. April 4, 2004

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19/08/2005

Cerro os dentes

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Cerro os dentes.
Em ebulição. Quero explodir. Gritar... mas cerro os dentes. Contenho.
A respiração acelera, o coração acelera, o pensamento abranda. Cerro os dentes.
Sinto que posso esmurrar a parede sem me importar o que acontece, porque da parede não passo. Cerro os punhos, contraio os músculos e cerro os dentes.
Cerro para não abrir, morder, ferir. Cerro e contenho.
Cerro... Não quero cerrar. Estou farto. Quero morder quem me morde e deixar de bem fazer. Quero morder, rasgar, deixar de preocupar. Farto estou de controlar. De ser mordido.

Mas no fim de tudo sempre cerro os dentes. No ultimo momento, segundo ou pedaço de tempo, cerro os dentes. E mais forte pareço... pareço. Mas não sei se sou. Porque continuo a ser mordido.

17/08/2005

Carlinhos, o Machista Gay

É possível haver um machista gay?
E se vivessemos num mundo em que o assédio e piropos que as mulheres sofrem na rua não existisse e isso acontecesse com os homens?
E o que têm a ver os Pastéis de Nata e o Jel com isto tudo?
Resposta a estas perguntas neste vídeo do programa da TV2, "A Revolta dos Pastéis de Nata".

16/08/2005

Um rolo de papel higiénico preto...

Nick Cave exigiu no seu camarim em Paredes de Coura um rolo de papel higiénico preto...
A Liga Internacional contra a Discriminação e Dominância do Papel Branco na Higiene Pessoal (LIDDPBHP) já se pronunciou favoravelmente quanto a esta decisão, congratulando-o.
A Associação dos Amigos dos Cotonetes Rosa-Choc (AACRC) também já enviou o seu apelo ao cantor e espera resposta para breve.

http://www.paredesdecoura.com/

11/08/2005

Sit Down, Stand Up- Ou os dois estados de alma

Sit down, stand up
Sit down, stand up
By Radiohead.

Uma vezes estou sentado, outras levantado.
Às vezes até voo por cima de todos. Mas nunca me arrasto a seus pés. Das grandezas também não tenho a mania e não vivo de ilusões.
Sentado partilho, converso, apoio e estou próximo. De pé eu abraço, ajudo a levantar e tenho força.
Sentado e levantado é um estado de alma... é como sou.
De joelhos ou em reverência é ilusão.Uma questão de perspectiva, que às vezes dou e outras me dão. Mas sempre ilusão.
Estava sentado... É altura de me pôr de pé, para depois voar e olhar o mundo de cima.
Se voltarei a sentar-me? Claro. Estar sentado não é negativo. É apenas um estado anterior ao levantado e que deve ser alternado.

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09/08/2005

Franz Ferdinand e Sigur Rós em Lisboa

O grupo rock escocês actua pela primeira vez em Lisboa no próximo dia 28, acompanhado pelos conterrâneos Mogwai e os Jimmy Chamberlin Complex. (...) concerto no Lisbon Soundz, um mini-festival que decorrerá na Doca de Algés.
Os bilhetes para o Lisbon Soundz estarão à venda a partir de segunda-feira e custam 25 euros.

Quem também regressa a Lisboa, mas em Novembro, são os islandeses Sigur Rós, dois anos depois de dois concertos esgotados nos coliseus.
20 de Novembro, apenas no Coliseu de Lisboa. Os bilhetes já estão à venda e custam 25 euros.

Mais informações: Portugal Diário- IOL

07/08/2005

Dúvidas existenciais I - O caso da abelha Maia

Tenho uma dúvida existencial...
Sempre ouvi dizer que o Calimero foi ao cú à abelha Maia.
Mas sendo ela uma abelha, então terá um ferrão nesse local, o que anatomicamente torna complicado o acto sexual, criando dores indescritíveis ao Calimero.
Talvez fosse mais correcto dizer que foi ele que foi "espetado" pela abelha Maia, o que não equivale a dizer que esta lhe foi ao cú, porque o cú encontra-se atrás e não à frente (até que a ciência diga o contrário).
E sendo o Calimero um pinto, não teria ainda os orgãos sexuais desenvolvidos, o que impediria uma rigidez suficiente para lhe ir ao cú... Seria até uma espécie de pedofilia reversa, se acontecesse.
Realmente não entendo como será isso possível. Bom, mais umas noites de insónia a tentar perceber isto...

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03/08/2005

Estou...

Estou. Vou estando diriam alguns.

Já estive e voltei a estar. E voltarei.

Estou assim... assim-assim. Assim estou.

Não queria... mas estou.

Quanto tempo estarei assim? Umas semanas ou algo assim? Uns dias farto de mim?

Não queria estar... mas estou.

Estou. Vou estando... Assim.

Assim estou.

27/07/2005

Franz Ferdinand 1, Freeport 0

Franz Ferdinand a 28 de Agosto em Lisboa, em sítio a divulgar!
E eu que até já estava a pensar ir comprar roupa nova à Mango do Freeport para os poder ver... Bom... parece que terei de comprar o fio dental noutro lado.

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26/07/2005

O verdadeiro significado dos cabeças de cartaz

Não sei porquê, sempre que ouço falar em cabeças de cartaz em concertos, imagino isso literalmente. Em vez da cabeça, alguém com um cartaz...
Provavelmente seria um motivo de maior entretenimento andarem pelo meio das pessoas a fazer coisas engraçadas, do que a tocar num palco principal.
Por momentos estou a lembrar-me de uma banda em particular que podia cumprir esse propósito, num festival a sudoeste...

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Autoria do desenho: Ubik

20/07/2005

Tenho uma melga no quarto

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Tenho uma melga no quarto.
Tive de sair. Ela tornou-se dona e senhora dele.
Causa-me insónias e irritação.
Saiiiiiiii daquiiiiiiiiiiii... em linguagem de melga.
Que fiz para merecer isto? As janelas estavam abertas para a receber. Não tenho spray insecticida ou qualquer tipo de fúria esmagadora para com ela. Até do meu sangue lhe ofereci... involuntariamente.
Amanhã sei que acordarei com sono. Talvez picado. Todo o dia me lembrarei dela. Por ter sono e querer trabalhar. Por querer descansar e ter de coçar.
Como pode uma coisa tão pequena ter tanto poder sobre nós?
Talvez devesse ser melga... mais ainda.
Pelo menos assim podia voar.

Nunca ouves o que digo








Tu nunca ouves o que digo... É o que ouço!
Pode ser o vento que leva as palavras para longe do meu ouvido.
Pode ser o barulho que me rodeia e que me impede de ouvir.
Pode ser alguém que me distrai por segundos.
Pode ser um efeito do tempo, senilidade ou embotamento.
Pode ser defeito auditivo, cognitivo ou outro motivo.
Pode ser distração, falta de atenção à acção.
Mas nunca é por não ter interesse, por não querer ouvir ou responder.
Apenas... pode ser...

19/07/2005

Carta ao Sr. Primeiro Ministro

Caro Sr. Primeiro Ministro.
Apraz-me muito ver como o país está diferente.
É uma alegria ver que existe apoio social eficaz, prédios antigos a serem remodelados em todo o lado, novos parques florestais depois de terem sido implantadas árvores nos locais queimados pelos incêndios, ir ao supermercado e ver que não temos de pagar quase um quarto do preço sobre todos os produtos, ver que está a apostar cada vez mais nas energias alternativas e as metas de Quioto já finalmente foram alcançadas com isso. A invasão de produtos espanhóis, chineses e outros países, a fuga das empresas para Leste... Tudo isso parte do passado.
Mas acima de tudo há algo que me faz ficar muito alegre. Ver que é um homem de palavra. E aqueles que diziam que não ia cumprir as suas promessas, hem? Que grandes bandidos. Como estavam enganados!
Espero que continue assim o seu governo e que o senhor tenha a reforma vitalícia que tanto merece. De certeza ficou muito cansado depois de ter resolvido muitos dos problemas dos portugueses.
Um grande bem haja para si e para os seus!
Um abraço de um cidadão que acredita em si... ou talvez não.

Quando for grande quero ser uma petição

A moda das petições está aí para ficar. Ele é o Ballet Gulbenkian, a senhora apedrejada de um país no médio oriente, o menino azul, verde ou amarelo, Canas de Senhorim a concelho ou a árvore Petimunoxulassa Ipetiçum na Patagónia.
Mas não estaremos contra as coisas erradas?

Aqui ficam algumas ideias para petições:

- Contra a retirada dos pratos quando estamos numa mesa no restaurante e ainda não acabámos de comer (uns dos problemas sociais mais graves que existem).
- Contra os cantos dos edifícios que se tornam mijatório público (porque não torná-los redondos? Talvez resolvesse...).
- Contra pseudo-retro-pseudo-fashion- pseudo-intelectuais-pseudo-totalmente arrogantes (um pseudo tratamento de psicoterapia talvez se revelasse interessante).
- Contra mim (ora aí está a melhor petição!).
- Contra aqueles que dizem “Isto está tudo mal. Antigamente é que era bom.” (bom seria se houvesse uma máquina do tempo que os levasse até ao tempo pré-histórico. Quem sabe depois de serem comidos por um T-Rex a sua vida ficasse melhor).
- Contra deitar fora a árvore de Natal depois deste (o Natal não é todos os dias? Porque não podemos ter uma árvore de Natal todo o ano? Alguém me acompanha nesta ideia?).
- Contra DJs que só sabem pôr música étnica/reggae/bad 80s a noite toda (a não ser que a noite toda dure 15min... os tais da fama).
- Contra os que escrevem em blogs inutilidades desinteressantes (hmmm... talvez deva rever esta petição... acho que teria de terminar este blog), em vez de inutilidades interessantes (ou talvez não deva rever... se as inutilidades forem boas).
- Contra os que são sempre do contra (esta sou totalmente a favor!).
- Contra a existência de petições!

www.petitiononline.com