
Sou perseguido pela depressão. Ela está obcecada por mim. Quer tornar-me sua. Mas eu não quero.
Estou casado com o stresse e sou irmão da ansiedade. A minha amiga fobia faz-me ter medo dela. E fico neuroticamente histérico só de pensar nela.
O meu corpo contorce-se no escuro, temendo a sua visita. Dói-me a barriga, com o arranhar das entranhas, em ebulição com a expectativa. Os suores frios dizem olá às insónias, que dormem sobre os olhos vermelhos vendo os segundos transmutados em minutos, em horas de impaciência.
Não tenho visto o pânico ultimamente, mas estou obsessivamente preocupado com o isolamento auto-imposto pelos estados maníacos de hiper-actividade. Poderá tornar-se imposto por outros, se o cansaço lhes chegar a atingir e a paciência lhes fugir.
Gostava de ser autista e viver no meu mundo, mas havendo outros autistas neste mundo, ele deixa de ser meu e nós de ser autistas.
Procuro ter vários pensamentos para evitar um pensamento recorrente, mas aí fico exausto, pois a memória de um pensamento já se tornou mais forte que os que com ele competem. Vitória de um pensamento, perdida por mim.
Fadiga, apatia, desânimo, mal-estar... parasitas que acompanham a depressão e se alimentam com ela. Querem levar-me o meu irmão mais novo: o optimismo.
Aquisição mais recente da família, mas também o mais fraco, imaturo e sensível. Tenho de lhe dar constantemente comida, pois não o sabe fazer sozinho.
Um dia será forte e se tornará polícia. Guardador de pensamentos. Zelará por mim.
Prenderá a depressão na masmorra mais funda e inacessível da minha memória.
Ocasionalmente poderá ser visitada pela amiga solidão. Mas apenas para lembrar que por ela existir, a alegria pode nascer, crescer e quem sabe um dia perseguir-me. Ficar por mim obcecada e eu tornar-me parte de si.












