10/11/2005
Bem vindos ao mundo de Lauro Dermio
Lembram-se da personagem do Herman, o crítico de cinema Lauro Dérmio?
Pois traduzam este blog aqui e vão rir de certeza. Prometo!
Ou então o meu outro blog traduzido para português (do Brasil...).
É uma experiência totalmente alucinante sem recorrer a químicos.
Muuuuito bom!
Obrigado ao senhor zoick pela ideia. ;)
06/11/2005
Vejo que tem um mal estar no coração

Entre por favor. Estou aqui para o curar.
Vejo que tem um mal estar no coração. Talvez uma injecção de alegria o ajudasse, mas temo que os anticorpos da solidão reduzissem a eficácia do tratamento.
Penso que um pouco de exercício ajudará. Ponha os músculos do coração a trabalhar de tempos a tempos.
Olhando para as suas artérias sob pressão, imagino que a actividade cerebral seja intensa. Aconselho cozinhar os seus pensamentos em lume brando juntando sumo de tranquilidade, até chegar ao ponto de relaxamento e cristalização.
Poderá prevenir qualquer gripe se descansar em casa, mas quando sair recomendo agasalhar-se de amigos e aquecer-se nas suas palavras.
Ingira uma colher de sabedoria duas vezes ao dia e três de ponderação. Mas pondere sobre isso. Não queira dar imagem de sabedor, sem nada saber.
Recomendo umas análises aos “maus figados” e às “dores de cotovelo” pois poderá criar em si uma maldade crónica, incurável, insuportável.
Seja paciente, senhor paciente e aguarde a evolução da sua situação.
Siga o tratamento e quem sabe não precise de nenhuma operação ou intervenção de melhoramento do coração.
A saída é no terceiro piso, ala 4. Tenha uma boa tarde!
29/10/2005
Faça favor de passar: Bloc Party e Patrick Wolf em concerto

Entremos.
Sítio interessante este. Parece mais um pub com espaço para concertos do que uma sala de espectáculos. Talvez por isso toda a gente esteja com uma "pint" na mão. Maioritariamente adolescentes. Explica-se pela paragem no calendário escolar por alguns dias.
Entrámos.
Parece que já começou alguma coisa... está uma figura estranha no palco... Mas não era suposto ser só um concerto de Bloc Party? Parece que trouxeram um convidado. Espera... parece... não pode ser... não tenho assim tanta sorte... sim! É ele! Um bónus inesperado. É o...
Patrick Wolf - Imaginemos uma mistura entre os Dandy Warhols e uma versão mais jovem (twenty something) do Antony e obtemos este moço.
Vestido com se de um boneco de pano se tratasse, com um meio capuz preso ao cinto por uma fita de tecido e um cabelo (e não só) a fazer lembrar o senhor Courtney Taylor-Taylor dos Dandy Warhols.
Um piano e guitarras acústicas para ele, um violino para a senhora e uma bateria para o outro senhor e está o espectáculo montado.
Impressiona. Pela imagem, pela simplicidade das músicas, pela inocência arty e pela força acústica que quase faz esquecer que é acústica.
Perde. Pela falta de alguns instrumentos que preenchessem alguns dos vazios nas músicas, aqueles espaços de som puro mas inacabado.
Valeu o esforço de convencer a plateia semi-bêbeda que aplaudiu a saída de forma efusiva. O moço deve ter ficado contente sim senhor.
Esperemos.
Sim, sim. Quer passar para ir ter com os seus amigos? Concerteza. Excuse me? Of course. Deixou a sua mulher grávida no centro da plateia? Sim. Passe. É primeiro ministro da Grunholândia? Por quem é. Querem parar de passar à nossa frente por favor!??? Damn!!!
Esperámos.
E aí vêm eles.
Bloc Party - Olhar para os Bloc Party é como olhar para uma versão reduzida das nações unidas. Ele é raízes anglo-saxónicas, chinesas e africanas. Representam parte do mundo. E quem bem que eles representam. Mas a representação pára aí.
Toda a sua actuação foi genuína. Podia dizer que eram a banda mais alegre e feliz do mundo... e suada. Como eles próprios disseram, quando se sua muito é porque o concerto está a ser bom. Não houve qualquer referência ao cheiro envolvido.
Duas ou três músicas novas (incluindo o dançável Two More Years, que amavelmente ofereceram às "senhoras que dançam muito bem nas bancadas") e as músicas do álbum Silent Alarm com alguns laivos pós album de remixes (tocar a versão feita com os Death From Above 1979 em vez da original foi um exemplo).
Se se diz que os ingleses são um público frio, nunca devem ter visto um concerto de Bloc Party nestas paragens. Todas as músicas tinham eco, movimento e copos voadores (meio cheios... ou será meio vazios?).
Eles, o centro das atenções, são representantes de vários estados de espírito. A alegria e raiva contida do vocalista, a timidez do guitarrista, o ar british e intelectual do baixista e as explosões de energia do baterista (como de um corpo tão magro sai tanta força?), combinaram-se e proporcionaram um espectáculo bastante bom.
"We're gonna win this"... and they won!
25 Outubro de 2005, Carling Academy, Bristol
24/10/2005
Dúvidas existenciais III - o caso dos hetero-flexíveis

Tenho uma dúvida existencial...
Recentemente um amigo ensinou-me uma nova palavra: hetero-flexível. Que significa isso?
- HETEROSSEXUAL - adj. 2 gén., relativo à atracção ou ao comportamento sexual entre dois indivíduos de sexo diferente; designativo do enxerto dos órgãos genitais com transplantação cruzada que masculiniza as fêmeas e feminiza os machos (ok... esta não compreendi...); s. 2 gén., indivíduo heterossexual (In Dicionário de Língua Portuguesa Online).
HETEROFLEXÍVEL - do Lat. heteroflexibilis; s. 2 gén., indíviduo heterossexual que se pode dobrar, curvar, que é facil de dobrar; maleável, submisso e complacente (In Dicionário de gaZpar, versão revista e aldrabada).
Portanto, será alguém que apesar de estar habituado a vaginus lambensis (peço desculpa pelo nível), também gosta de se dobrar de vez em quando, submetendo-se à vontade de terceiros, quartos ou a quem quiser...
Portanto é alguém que dirá: "Ok. Vou ali e já venho!". Mas nem todos voltam...
21/10/2005
And now for something completely weird: Carnivale

And now for something completely weird...
Sparkling tooth, I see, with my fairy poison eyes.
Então experimentem ver a série Carnivale da HBO.
O melhor que já vi do género, desde os X-Files e Twin Peaks. A não perder, em DVD ou por milagre na TV...
19/10/2005
Sai lá que estou à espera!

Sai. Vá lá. Sai. Estou à espera que saias!
Olha que os senhores estão à minha espera. Não me deixes ficar mal.
Estás envergonhada, eu sei. Estás cansada, eu sei. Gostas de estar acompanhada pela tua amiga. Estás farta de trabalhar. Tudo isso eu sei.
Mas acho que me deves alguns favores. Tenho-te alimentado. Dou-te oportunidades para que faças ouvir a tua voz. Deixo-te dormir com os sonhos ao lado.
Faz isso por mim... sai cá para fora Inspiração. Podes fazer-te acompanhar da tua amiga Criatividade se quiseres. Depois de me dares algo para mostrar, deixarei que voltes a dormir na minha mente enquanto os sonhos trabalham.
Obrigado! Sabia que podia contar contigo.
Só gostava que não tivesse tanto trabalho de cada vez que quero que saias... Hmpf!
Senhora de vermelho num mundo de verdes II
"There are many myths and legends associated with the Tor - it is the home of Gwyn ap Nudd, the Lord of the Underworld, and a place where the fairy folk live."
Mais ainda, há todo um conjunto de experiências atribuídas ao lugar, como pessoas que tiveram visões, que sentiram como se estivessem a voar... Provavelmente fumaram umas coisas estranhas depois do festival e depois dizem que viram Deus... yeah yeah... of course!
Independentemente de tudo isto, de facto aquela personagem (não tenho outro nome para lhe dar) fez-me sentir de forma estranha. Mexe comigo. Ainda o faz.
Talvez a verdadeira magia do lugar sejam as pessoas que lá vão... I wonder!


13/10/2005
Senhora de vermelho num mundo de verdes

Não a conheço. Nunca lhe vi a cara. Não sei quem é.
Mas por ela sinto algo que não sei explicar. Podia dizer que estou apaixonado, mas não deve ser isso. Como posso estar apaixonado por alguém que nunca vi a cara?...
Não me sai da memória. Aquela figura distinta olhando o mundo a seus pés.
Talvez saiba porque ela me faz sentir assim. Porque me sinto como ela...
Um vermelho num mundo verde. Uma aparente solidão, mas rodeada de vida. Um pequeno ser que sobressai pela diferença.
Não será esse o nosso objectivo na vida? Ser parte do ambiente que nos rodeia mas ter a nossa própria cor?
Não lamento não ter falado contigo. A tua imagem ficará para sempre, pois ela é mais que a imagem. É um conceito abstracto com um significado só meu.
Não te conheço, não me conheces... mas não deixo de pensar em ti, senhora de vermelho num mundo de verdes.
Glastonbury, 09/10/2005
10/10/2005
Pensado em ti Portugal do meu coração... (ou quão piroso pode ser um título)
Estava tão convicto de que ia ser presidente antes dos 40...
Bom... tenho os 40 anos seguintes. Posso sempre seguir o exemplo do Dr. Mário Soares e candidatar-me por volta dos 80.
E o Carmona lá ganhou.
Só uma coisa nunca cheguei a perceber... porque é que os cartazes do Carmona tinham fundo vermelho e alguns não tinham o nome do partido?
E porque é que os cartazes do Carrilho tinham fundo rosa? Ah... claro! É a cor do PS...
E eu a queixar-me do tempo cinzento por aqui e vocês com uma tempestade tropical a porta...
06/10/2005
O meu poema simples III
Já procuri ali, mas não encontri. Até pareci que dormi.
É melhor acordar... e parar de estupidificar, sonhar, imaginar!
Toca mas é a trabalhar e deixar de divagar. Começar a pensar na realida... di?
30/09/2005
My name is e-ru-e
Ouço um som familiar e volto a cabeça procurando o seu emissor. “Devem estar a falar comigo.”, penso eu.
Esse som já se tornou familiar, não o esqueci. Mas por alguma razão obscura, irracional ou sentimental, associada à minha figura, dou-lhe agora mais valor.
Deixei de ouvir esse som como antes... deve ser por isso que lhe dou valor.
Esse R que vem da garganta, esse U dos labios e esse I emitido algures entre ambos.
O R da garganta aqui não existe, no lugar dele vem primeiro um E. O I foi substituído por algo mais perceptível para eles… Eles.
Eles dizem: e-ru-e.
Eu também. Fui levado a isso. Perdi a batalha… mas não a guerra.
Alguém me sugeriu mudar de nome… até quem me concebeu e me acolheu no seu interior por alguns meses.
De facto, podia mudar o meu nome, mas isso mudaria a minha identidade. Tornaria-me outra pessoa, outro ser, ainda que com caracteristicas semelhantes. Não seria familiar, neste lugar em que o que é familiar me ajuda a passar as horas e relaxar.
Não! Esta é a minha guerra pessoal... o que sou, o que continuarei a ser. Mudar para o segundo nome seria tarefa fácil, mas não vivo de facilidades. Gosto do que é complicado, difícil, embrulhado.
E vou permanecer assim… neste estado continuado de nome alterado... mas não substituído!
Outras divagaçoes acerca do nome:
At the Drive In - Give it a name
Manic Street Preachers - What's my name
The Coral - I forgot my name
Depeche Mode - What's your name
The Beatles - I call your name
The Fall - A lot in the name
Talking Heads - (give me back my) name
Pedro The Lion - To protect my family name
The White Stripes - When I hear my name
Elliott Smith - No name #1
Zeca Afonso - Chamaram-me cigano (porque não?)
Humanos - Maria Albertina
E... obviamente: Eminem - My name is (foi mais forte que eu...)
27/09/2005
Debaixo de um telhado de chumbo
Dia, noite... ele é cinzento.
É esta cidade, este país, as pessoas... são assim.
Por vezes chove, por vezes não.
Antes fosse eu a decidir, mas não sou!
E este telhado de chumbo, que raramente me deixa ver o sol?!
Antes telhados de vidro lusos, solarengos!
Claro que também são cinzentos por vezes...
Com chuva que pesa sobre nós, de tão forte que é.
Mas pelo menos o sol diz-nos um olá tímido no Inverno e da um valente abraço envolvente no Verão.
Sei que tenho de continuar debaixo deste telhado.
Tenho... mas não é esforço, é voluntário.
Até porque tenho um abrigo que em tão pouco tempo já se tornou uma casa... uma "primeira" casa, que me protege deste telhado... deste chumbo que envenena a alegria.
Mas não a mim, que do abrigo fiz antídoto, panaceia.
Quem sabe um dia surja uma janela neste telhado e também aqui o sol perca a timidez.
E talvez aí me aqueça, quem sabe me abrace.
Fico à espera.
Ouviu sr. sol?
21/09/2005
Falando em tudo que complexamente na cabeça vai

Não pretendo mostrar-me como poeta, interessante ou culto... isso seria um insulto.
Mostro apenas pedaços de mim, sem desses pedaços querer fazer um acontecimento. Nem tento!
Considero-me um organizador de ideias e emoções, em momentos.
Um arquivador e divulgador de palavras com diferentes entendimentos, significados... por vezes mal amados quando analisados.
Um bibliotecário, guardador de diários pessoais sob a forma sentida, honesta e compartida.
Um tradutor da insanidade do dia e às vezes da demasiada calma da noite, que se escapa sob esta forma sã e adaptada... mas também por vezes alterada.
Um guardador de pensamentos e sonhos, da imaginação e do que é criativo, que permito a olhares curiosos ver um pouquito... pois nisto sou egoísta. Muitas vezes guardo apenas para mim e para os meus botões, quando os tenho para algo partilhar.
Acima de tudo, gosto de falar naquilo que complexamente na cabeça vai e que por vezes grita insuportavelmente para sair.
E sai...
20/09/2005
Olhares sobre mim

Como me veêm:


Parece consistente... mas o que sou realmente?
Transparente!

1ª imagem: South Park studio (gracias Rog)
2ª e 3ª imagens by Ubik (gracias!!!) :o)
4ª imagem: algures na net
19/09/2005
A minha alma matemática
Nada se alterou, transformou, mudou.
Tudo permanece uma constante.
O que sentia, continuo a sentir.
Como via, continuo a ver.
Apenas voltei a juntar os pedaços de mim que tinham sido divididos, subtraídos... e agora unidos.
Permaneço a constante desta equação complicada.
O inalterado no alterável, a permanência na inconstância... a consistência.
Continuo a ter um coração para dar, sem esperar um receber.
Já tive um, mas perdeu-se em alterações, modificações, transformações.
Quem sabe do caos surja a ordem, a constante que falta... e o resultado da equação seja finalmente um sucesso.
Não será preciso fazer cálculos.
Basta esperar a evolução desta ciência complicada.
Quem sabe fazer uma pausa?
Quem sabe depois da pausa, olhando de outra forma, as respostas estejam lá... e a equação se torne completa.
A minha alma matemática espera-o.
Mais matemáticas complicadas em:
Radiohead - 2+2=5
dEUS - Little Arithmetics
Soul Coughing - 4 out of 5
Cake - Friend is a four letter word
Aimee Mann - One
Ornatos Violeta - Um beijo=1000
Elis Regina - Dois pra lá, dois pra cá
16/09/2005
Os outros amigos de Gaspar
Convém trazer alguma sanidade mental, que anda desaparecida por aqui nos últimos tempos... eh eh
Sérgio Godinho - Os Amigos do Gaspar
14/09/2005
O meu poema simples II
La, la, la, para ai voltareisteis... e de novo me texteis.
Hmmm... acho que se continuar a tentar consigo fazer coisas mais parvas ainda. Prometo!!!
13/09/2005
O meu poema simples
Estou aqui onde chegui.
Chegui e vim para aqui.
Aqui onde escrevi.
E pronto!
11/09/2005
Pedaços urbanos de mim
Estou aqui, mas já não estou... volto a dizer.
Sei que o que sou, vai-se transformar, mudar, alterar.
Se de uma auto-biografia se tratasse, acabaria aqui o volume um.
Ma se a fizesse, não a escreveria, porque a escrita altera as emoções que um dia foram exprimidas e não lhes fazem juz.
Mais sentido faria uma imagem, duas imagens, três imagens ou outras mil.
Mil palavras vezes uma, vezes duas, vezes três, vezes mil.
Nestas imagens seria o que sou: o meu olhar. Como me sinto e senti sempre.
Nelas estaria a história de uma vida curta, escrita em linguagem de rugas.
Seriam acompanhadas da banda sonora da minha vida, em constante audição. Diferentes músicas, para diferentes estados de alma.
Pano de fundo... a cidade. Escura mas luminosa. Por vezes fria, outras quente. Mas sempre uma cidade.
Pedaços urbanos de mim... que fazem a minha história assim!
08/09/2005
Vinde para baixo senhoras torres, qual cavalo de Tróia em Tróia!


Torres do antigo complexo turístico da Torralta vieram abaixo
Vinde para baixo senhoras torres, nós vos rogamos.
Vinde pois precisamos dos votos contidos na vossa estrutura implodida.
Fazei uma festa, convidai os altos dignatários dos vossos pedaços de terreno e os dos pedaços maiores e glorifiquemos este momento.
Parai o país para ver a exaltação dos monarcas, pois este momento é de celebração.
Bradai! Bradai povo aos céus em agradecimento, pois a nós devem estar agradecidos... a nós que acreditamos habitar esses céus.
Vinde para baixo senhoras torres, pois aqui vos esperamos... para mandar pó para os olhos de quem vos olha.
Vinde para baixo senhoras torres, pois queremos construir as vossas irmãs e destruir a natureza que vos rodeia.
Qual cavalo de Tróia em Tróia, a vossa queda será bem-vinda. E os soldados da construção começarão a sair e a transformar para mau, aquilo que de bom existia. Aí teremos a nossa vitória e já ninguém nos pode parar. Aí teremos a nossa recompensa de poder e luxúria.
E assim elas caíram...



