27/11/2005
Pensamentos caústicos V
Mas se existo logo, não existo agora e nunca existi...
Mas existirei! Ainda há esperança.
26/11/2005
24/11/2005
Pensamentos caústicos I
Nunca sabemos o quanto doi fazê-lo, até passarmos por isso...
18/11/2005
Futurama I
Não preciso dizer que há uma moda de plagiar ou inspirar-se em música já existente. É evidente.
Dos mais indie e alternativos (seja lá o que isso quer dizer) aos mais usa-e-deita-fora e comerciais, (quase) todos o fazem.
E parece haver um padrão... ora vejamos o caso dos mais ou menos indie e alternativos.
Os pré ultra difundido plágio
Podemos dizer que a britpop foi o sinal de que o apocalipse das ideias originais estava próximo.
Os Oasis imitavam os Beatles (ou tocavam os acordes deles em ordem inversa... vai dar ao mesmo), os Blur imitavam os Smiths. Os outros imitavam todos os outros e mais estes.
Alguém percebeu que estaria aqui uma mina de platina.
Os quase originais mas ainda plágio
Mais ou menos na mesma altura vigorava a lei do Grunge. Kobain era o rei. O rei morreu, viva o rei (qualquer semelhança com o rei Elvis é completamente propositada).
Os Nirvana foram classificados como originais, os líderes do Grunge. Do Grunge nada tinham de igual excepto a cidade de origem (Seatle). De original... bebiam da fonte de inspiração dos Pixies, Sonic Youth, Mudhoney, Melvins e outros similares.
Os tais do Grunge, aninhavam-se nos braços do avô Neil Young e juntavam-lhe distorção.
Descrição simplista, mas realista.
O rei morreu... acabou a criação, a imaginação.
De volta ao passado recente, de plágio presente
Apesar de algumas tentativas como é exemplo o Tripop, o caso parecia complicado.
Na ausência de ideias e com casos bem sucedidos de plágio no passado (vide Oasis), a fórmula parecia simples. Tocar como no passado com a tecnologia de hoje.
Mas tudo pareceu processar-se com uma certa ordem cronológica.
Os setentialistas
Apareceram ou tornaram-se famosas bandas inspiradas nos anos 60/70 como os White Stripes, The Strokes, The Datsuns, Kings of Leon, The Hives, The Coral, The Darkness (estes deviam ter a sua própria categoria...), The Raveonettes e tudo o que tivesse um "The" antes do nome. Os Dandy Warhols já por cá andavam.
Os electrocto
Desta feita chegaram os electroclash e electro-qualquer-coisa-que-soe-a-anos-80-e-um-pouco-a-70s. The Killers, The Bravery, Fischerspooner, Scissor Scisters, Maximo Park, LCD Soundsystem, Franz Ferdinand, Interpol, Bloc Party, The Faint, Dead 60s, Kaiser Chiefs, Arctic Monckeys, The Strokes, VHS or Beta, Chromeo, The Futureheads, The Rapture, Radio4 e outros tantos. Talvez seja injusto estarem todos no mesmo saco... ou talvez não.
Os novesgrunge
Chegou a vez dos anos 90. Venham os Autolux, BabyShambles, Nine Black Alps, Subways, The Strokes (mais uma vez) e outros que estão para aparecer.
Os NotYouToo
Para além dos representantes de décadas, há os representantes de conceitos e de bandas...
Veja-se o caso dos Kaiser Chiefs, The Streets, Kasabian, Graham Coxon, Supergrass e Stereophonics (estes três ainda se mantêm da primeira leva), os novos representantes do britpop (os Blur continuam a ser uma influência).
Os Oasis, que há muito deixaram de imitar os Beatles para se imitarem a eles próprios.
Ou mais flagrante, os Coldplay, que deixaram de representar os Radiohead e agora querem ser U2. Atrás deles, veio toda uma onda de "quero ser como os coldplay, por isso arrangem-me um piano", sendo os Keane os seus mais fiéis seguidores. O problema: a partir daqui toda a banda que tenha piano soa a Coldplay...
Os deixa-lá-ver-o-que-vem-para-aí
Poucos representantes nesta categoria. São aqueles que começam a ficar velhitos, mas evoluiram. Cresceram. São originais e ainda despertam interesse.
Radiohead, Massive Attack, Nine Inch Nails, Depeche Mode, The Cure, Low, Calexico, Muse, Bjork e muitos outros felizmente!
Muita coisa ficou de fora, mas a ideia é: olhem para a evolução de uma banda como os The Strokes e percebem o que digo. Começaram nos 60/70 no primeiro álbum, passaram pelos 80 no segundo e estão nos 90 agora no terceiro (pelo que o 1º single "Juicebox" dá a ver). Será que vão fazer algo original nos próximos?

Foto retirada de: http://www.reviewjournal.com/webextras/gallery/stroud/ent23.html
15/11/2005
Como queimar 98% dos neurónios em menos de 24h

Nunca até hoje, no mesmo dia, usei recursos mentais de forma tão diferente.
Aos meus neurónios foi-lhes exigido pensar em termos concretos, passando aos abstractos e voltando aos concretos.
Uma parte de mim discorre em pensamentos daquilo que é palpável, tangível e mensurável.
O universo explicado em números, traduzido em coeficientes, numa diarreia matemática verbal e escrita. Sinto-me um cientista, experimentando, calculando, controlando... imergindo-me numa análise analítica, crítica e científica. O saber protege-me, defende-me da subjectividade. Promove a objectividade, a frieza e imparcialidade. Estou seguro.
Deixei de o estar.
Viajo pela mente de um filósofo e perco-me dentro dele.
O chão parece fugir-me dos pés, sinto-me a flutuar mas não sei o que sinto por causa disso. Passa-me pela cabeça que o consumo de opiáceos deverá produzir um efeito semelhante.
A parte científica de mim parece envergonhada e teima em esconder-se, assustada.
O universo é agora explicado por aquilo que pensamos que ele significa. É traduzido em ideias, insights, de características imaginadas, inalteradas e incontroladas. Não há códigos ou filtros. Sai como sai e cada um lhe atribui um significado... nem sempre partilhado.
Qualquer tentativa de experiência traduz-se em empiricismo, em observado ou pensado. Sinto-me inseguro, mas ao mesmo tempo mais próximo de uma verdade que os métodos científicos actuais não conseguem interpretar. Imergido em subjectividade, emotividade e parcialidade.
Volto a procurar a segurança. Volto ao concreto, ao que é palpável, tangível e mensurável.
Respiro de alívio. Mas por alguma razão sinto-me mais longe da verdade, da imaginação, da criatividade. Da possibilidade de criação de novos teorias, baseadas em novas ideias e discussões.
Volto a sentir-me inseguro, mas agora na suposta segurança.
A solidez já na me parece tão sólida. A objectividade parece algo subjectiva.
Talvez em vez de alternar, devesse utilizar os dois pensamentos em simultâneo.
Não preciso de dois cérebros. Apenas de me libertar das inibições de cada um deles. Libertar-me.
Com os 2% de neurónios que restaram, vou sonhar com essa possibilidade enquanto calculo as probabilidades de isso acontecer um dia...
Reflexões esquizofrénicas causadas por: Realização de análises estatísticas baseadas em regressões múltiplas, passando ao pensamento crítico sobre um texto de Wittgenstein acerca da filosofia da mente e voltando à regressão logística e modelos log-linear.
13/11/2005
Apenas mais um comboio
Às vezes estamos na estação errada, outras na carruagem errada.
Às vezes as pessoas à nossa volta estão erradas, outras as coisas dentro de nós estão erradas.
Às vezes a linha é amarela, verde, vermelha, azul... outras não passa de um túnel negro.
Às vezes queremos ir para um sítio mas a linha ainda não foi construída.
Outras queremos ir para onde sempre fomos e vemos que de dia para dia as linhas se deterioram.
Às vezes as linhas cruzam-se e mudamos de umas para outras. Outras vezes queremos apenas ir directos para onde queremos ir.
Para alguns a luz ao fundo do túnel é esperança, para outros é apenas mais um comboio.
Por vezes até chegamos a pensar como seria comandar essas linhas e esses comboios, mas acabamos sempre por nos deixar guiar, seguir e conformar. É a regra.
Todos os dias mais do mesmo... mesmas linhas, cruzamentos, entroncamentos de sentimentos.
Por vezes desviamo-nos do comboio, outras somos trespassados por ele.
Por vezes somos apanhados sem bilhete e tentamos fugir. Mas acabamos sempre por voltar.
Voltar e apanhar... apenas mais um comboio. E esperar... esperar ou tentar mudar de lugar... ou apenas parar.
E deixar... andar.
The Subways - Young for eternity
10/11/2005
Bem vindos ao mundo de Lauro Dermio
Lembram-se da personagem do Herman, o crítico de cinema Lauro Dérmio?
Pois traduzam este blog aqui e vão rir de certeza. Prometo!
Ou então o meu outro blog traduzido para português (do Brasil...).
É uma experiência totalmente alucinante sem recorrer a químicos.
Muuuuito bom!
Obrigado ao senhor zoick pela ideia. ;)
06/11/2005
Vejo que tem um mal estar no coração

Entre por favor. Estou aqui para o curar.
Vejo que tem um mal estar no coração. Talvez uma injecção de alegria o ajudasse, mas temo que os anticorpos da solidão reduzissem a eficácia do tratamento.
Penso que um pouco de exercício ajudará. Ponha os músculos do coração a trabalhar de tempos a tempos.
Olhando para as suas artérias sob pressão, imagino que a actividade cerebral seja intensa. Aconselho cozinhar os seus pensamentos em lume brando juntando sumo de tranquilidade, até chegar ao ponto de relaxamento e cristalização.
Poderá prevenir qualquer gripe se descansar em casa, mas quando sair recomendo agasalhar-se de amigos e aquecer-se nas suas palavras.
Ingira uma colher de sabedoria duas vezes ao dia e três de ponderação. Mas pondere sobre isso. Não queira dar imagem de sabedor, sem nada saber.
Recomendo umas análises aos “maus figados” e às “dores de cotovelo” pois poderá criar em si uma maldade crónica, incurável, insuportável.
Seja paciente, senhor paciente e aguarde a evolução da sua situação.
Siga o tratamento e quem sabe não precise de nenhuma operação ou intervenção de melhoramento do coração.
A saída é no terceiro piso, ala 4. Tenha uma boa tarde!
29/10/2005
Faça favor de passar: Bloc Party e Patrick Wolf em concerto

Entremos.
Sítio interessante este. Parece mais um pub com espaço para concertos do que uma sala de espectáculos. Talvez por isso toda a gente esteja com uma "pint" na mão. Maioritariamente adolescentes. Explica-se pela paragem no calendário escolar por alguns dias.
Entrámos.
Parece que já começou alguma coisa... está uma figura estranha no palco... Mas não era suposto ser só um concerto de Bloc Party? Parece que trouxeram um convidado. Espera... parece... não pode ser... não tenho assim tanta sorte... sim! É ele! Um bónus inesperado. É o...
Patrick Wolf - Imaginemos uma mistura entre os Dandy Warhols e uma versão mais jovem (twenty something) do Antony e obtemos este moço.
Vestido com se de um boneco de pano se tratasse, com um meio capuz preso ao cinto por uma fita de tecido e um cabelo (e não só) a fazer lembrar o senhor Courtney Taylor-Taylor dos Dandy Warhols.
Um piano e guitarras acústicas para ele, um violino para a senhora e uma bateria para o outro senhor e está o espectáculo montado.
Impressiona. Pela imagem, pela simplicidade das músicas, pela inocência arty e pela força acústica que quase faz esquecer que é acústica.
Perde. Pela falta de alguns instrumentos que preenchessem alguns dos vazios nas músicas, aqueles espaços de som puro mas inacabado.
Valeu o esforço de convencer a plateia semi-bêbeda que aplaudiu a saída de forma efusiva. O moço deve ter ficado contente sim senhor.
Esperemos.
Sim, sim. Quer passar para ir ter com os seus amigos? Concerteza. Excuse me? Of course. Deixou a sua mulher grávida no centro da plateia? Sim. Passe. É primeiro ministro da Grunholândia? Por quem é. Querem parar de passar à nossa frente por favor!??? Damn!!!
Esperámos.
E aí vêm eles.
Bloc Party - Olhar para os Bloc Party é como olhar para uma versão reduzida das nações unidas. Ele é raízes anglo-saxónicas, chinesas e africanas. Representam parte do mundo. E quem bem que eles representam. Mas a representação pára aí.
Toda a sua actuação foi genuína. Podia dizer que eram a banda mais alegre e feliz do mundo... e suada. Como eles próprios disseram, quando se sua muito é porque o concerto está a ser bom. Não houve qualquer referência ao cheiro envolvido.
Duas ou três músicas novas (incluindo o dançável Two More Years, que amavelmente ofereceram às "senhoras que dançam muito bem nas bancadas") e as músicas do álbum Silent Alarm com alguns laivos pós album de remixes (tocar a versão feita com os Death From Above 1979 em vez da original foi um exemplo).
Se se diz que os ingleses são um público frio, nunca devem ter visto um concerto de Bloc Party nestas paragens. Todas as músicas tinham eco, movimento e copos voadores (meio cheios... ou será meio vazios?).
Eles, o centro das atenções, são representantes de vários estados de espírito. A alegria e raiva contida do vocalista, a timidez do guitarrista, o ar british e intelectual do baixista e as explosões de energia do baterista (como de um corpo tão magro sai tanta força?), combinaram-se e proporcionaram um espectáculo bastante bom.
"We're gonna win this"... and they won!
25 Outubro de 2005, Carling Academy, Bristol
24/10/2005
Dúvidas existenciais III - o caso dos hetero-flexíveis

Tenho uma dúvida existencial...
Recentemente um amigo ensinou-me uma nova palavra: hetero-flexível. Que significa isso?
- HETEROSSEXUAL - adj. 2 gén., relativo à atracção ou ao comportamento sexual entre dois indivíduos de sexo diferente; designativo do enxerto dos órgãos genitais com transplantação cruzada que masculiniza as fêmeas e feminiza os machos (ok... esta não compreendi...); s. 2 gén., indivíduo heterossexual (In Dicionário de Língua Portuguesa Online).
HETEROFLEXÍVEL - do Lat. heteroflexibilis; s. 2 gén., indíviduo heterossexual que se pode dobrar, curvar, que é facil de dobrar; maleável, submisso e complacente (In Dicionário de gaZpar, versão revista e aldrabada).
Portanto, será alguém que apesar de estar habituado a vaginus lambensis (peço desculpa pelo nível), também gosta de se dobrar de vez em quando, submetendo-se à vontade de terceiros, quartos ou a quem quiser...
Portanto é alguém que dirá: "Ok. Vou ali e já venho!". Mas nem todos voltam...
21/10/2005
And now for something completely weird: Carnivale

And now for something completely weird...
Sparkling tooth, I see, with my fairy poison eyes.
Então experimentem ver a série Carnivale da HBO.
O melhor que já vi do género, desde os X-Files e Twin Peaks. A não perder, em DVD ou por milagre na TV...
19/10/2005
Sai lá que estou à espera!

Sai. Vá lá. Sai. Estou à espera que saias!
Olha que os senhores estão à minha espera. Não me deixes ficar mal.
Estás envergonhada, eu sei. Estás cansada, eu sei. Gostas de estar acompanhada pela tua amiga. Estás farta de trabalhar. Tudo isso eu sei.
Mas acho que me deves alguns favores. Tenho-te alimentado. Dou-te oportunidades para que faças ouvir a tua voz. Deixo-te dormir com os sonhos ao lado.
Faz isso por mim... sai cá para fora Inspiração. Podes fazer-te acompanhar da tua amiga Criatividade se quiseres. Depois de me dares algo para mostrar, deixarei que voltes a dormir na minha mente enquanto os sonhos trabalham.
Obrigado! Sabia que podia contar contigo.
Só gostava que não tivesse tanto trabalho de cada vez que quero que saias... Hmpf!
Senhora de vermelho num mundo de verdes II
"There are many myths and legends associated with the Tor - it is the home of Gwyn ap Nudd, the Lord of the Underworld, and a place where the fairy folk live."
Mais ainda, há todo um conjunto de experiências atribuídas ao lugar, como pessoas que tiveram visões, que sentiram como se estivessem a voar... Provavelmente fumaram umas coisas estranhas depois do festival e depois dizem que viram Deus... yeah yeah... of course!
Independentemente de tudo isto, de facto aquela personagem (não tenho outro nome para lhe dar) fez-me sentir de forma estranha. Mexe comigo. Ainda o faz.
Talvez a verdadeira magia do lugar sejam as pessoas que lá vão... I wonder!


13/10/2005
Senhora de vermelho num mundo de verdes

Não a conheço. Nunca lhe vi a cara. Não sei quem é.
Mas por ela sinto algo que não sei explicar. Podia dizer que estou apaixonado, mas não deve ser isso. Como posso estar apaixonado por alguém que nunca vi a cara?...
Não me sai da memória. Aquela figura distinta olhando o mundo a seus pés.
Talvez saiba porque ela me faz sentir assim. Porque me sinto como ela...
Um vermelho num mundo verde. Uma aparente solidão, mas rodeada de vida. Um pequeno ser que sobressai pela diferença.
Não será esse o nosso objectivo na vida? Ser parte do ambiente que nos rodeia mas ter a nossa própria cor?
Não lamento não ter falado contigo. A tua imagem ficará para sempre, pois ela é mais que a imagem. É um conceito abstracto com um significado só meu.
Não te conheço, não me conheces... mas não deixo de pensar em ti, senhora de vermelho num mundo de verdes.
Glastonbury, 09/10/2005
10/10/2005
Pensado em ti Portugal do meu coração... (ou quão piroso pode ser um título)
Estava tão convicto de que ia ser presidente antes dos 40...
Bom... tenho os 40 anos seguintes. Posso sempre seguir o exemplo do Dr. Mário Soares e candidatar-me por volta dos 80.
E o Carmona lá ganhou.
Só uma coisa nunca cheguei a perceber... porque é que os cartazes do Carmona tinham fundo vermelho e alguns não tinham o nome do partido?
E porque é que os cartazes do Carrilho tinham fundo rosa? Ah... claro! É a cor do PS...
E eu a queixar-me do tempo cinzento por aqui e vocês com uma tempestade tropical a porta...
06/10/2005
O meu poema simples III
Já procuri ali, mas não encontri. Até pareci que dormi.
É melhor acordar... e parar de estupidificar, sonhar, imaginar!
Toca mas é a trabalhar e deixar de divagar. Começar a pensar na realida... di?
30/09/2005
My name is e-ru-e
Ouço um som familiar e volto a cabeça procurando o seu emissor. “Devem estar a falar comigo.”, penso eu.
Esse som já se tornou familiar, não o esqueci. Mas por alguma razão obscura, irracional ou sentimental, associada à minha figura, dou-lhe agora mais valor.
Deixei de ouvir esse som como antes... deve ser por isso que lhe dou valor.
Esse R que vem da garganta, esse U dos labios e esse I emitido algures entre ambos.
O R da garganta aqui não existe, no lugar dele vem primeiro um E. O I foi substituído por algo mais perceptível para eles… Eles.
Eles dizem: e-ru-e.
Eu também. Fui levado a isso. Perdi a batalha… mas não a guerra.
Alguém me sugeriu mudar de nome… até quem me concebeu e me acolheu no seu interior por alguns meses.
De facto, podia mudar o meu nome, mas isso mudaria a minha identidade. Tornaria-me outra pessoa, outro ser, ainda que com caracteristicas semelhantes. Não seria familiar, neste lugar em que o que é familiar me ajuda a passar as horas e relaxar.
Não! Esta é a minha guerra pessoal... o que sou, o que continuarei a ser. Mudar para o segundo nome seria tarefa fácil, mas não vivo de facilidades. Gosto do que é complicado, difícil, embrulhado.
E vou permanecer assim… neste estado continuado de nome alterado... mas não substituído!
Outras divagaçoes acerca do nome:
At the Drive In - Give it a name
Manic Street Preachers - What's my name
The Coral - I forgot my name
Depeche Mode - What's your name
The Beatles - I call your name
The Fall - A lot in the name
Talking Heads - (give me back my) name
Pedro The Lion - To protect my family name
The White Stripes - When I hear my name
Elliott Smith - No name #1
Zeca Afonso - Chamaram-me cigano (porque não?)
Humanos - Maria Albertina
E... obviamente: Eminem - My name is (foi mais forte que eu...)
27/09/2005
Debaixo de um telhado de chumbo
Dia, noite... ele é cinzento.
É esta cidade, este país, as pessoas... são assim.
Por vezes chove, por vezes não.
Antes fosse eu a decidir, mas não sou!
E este telhado de chumbo, que raramente me deixa ver o sol?!
Antes telhados de vidro lusos, solarengos!
Claro que também são cinzentos por vezes...
Com chuva que pesa sobre nós, de tão forte que é.
Mas pelo menos o sol diz-nos um olá tímido no Inverno e da um valente abraço envolvente no Verão.
Sei que tenho de continuar debaixo deste telhado.
Tenho... mas não é esforço, é voluntário.
Até porque tenho um abrigo que em tão pouco tempo já se tornou uma casa... uma "primeira" casa, que me protege deste telhado... deste chumbo que envenena a alegria.
Mas não a mim, que do abrigo fiz antídoto, panaceia.
Quem sabe um dia surja uma janela neste telhado e também aqui o sol perca a timidez.
E talvez aí me aqueça, quem sabe me abrace.
Fico à espera.
Ouviu sr. sol?


