28/12/2005

Fiquemos pelo tradicional Natal

Nunca é tarde para o fazer...
Deixo-vos a mensagem que enviei este ano por sms a alguns dos meus ilustres amigos:

Nesta época moderna de competição pela mensagem de Natal mais original, fico-me pelo tradicional:
Feliz Natal!

E já agora: Feliz Ano Novo!

21/12/2005

Dúvidas existenciais IV: O caso dos pombos inteligentes

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Tenho uma dúvida existencial... Serão os pombos inteligentes?

INTELIGÊNCIA
(In Dicionário de Língua Portuguesa Online): do Lat. intelligentia; s. f., faculdade que tem o espírito de pensar, conceber, compreender; capacidade de resolução de novos problemas e de adaptação a novas situações; talento; compreensão fácil, nítida, perfeita, profunda de qualquer coisa; percepção; pessoa de grande capacidade intelectual;
fig., conluio, ajuste, combinação;(no pl.) entendimentos secretos, combinações.

Vejamos... eles pensam constantemente em depenicar todo e qualquer pedaço de qualquer coisa que se assemelhe a comida e concebem complicados estratagemas para o fazer, enquanto evitam ser pontapeados por um qualquer humano que deles se aproxime ou um carro que venha na sua direcção. Até porque eles compreendem intuitivamente que em estado "esborrachado" será difícil comer.
Têm uma
capacidade de resolução de novos problemas e de adaptação a novas situações de invejar. Coloquem arames ou agulhas de metal nos monumentos monumentalmente cagados por estes seres, que eles encontrarão um onde isso não tenha sido feito ou o edifício mais perto.
Têm um talento enorme para se vingarem de nós, enviando um presente envenenado dos céus, qual bomba de humilhação e mau cheiro. A vingança não é um prato frio, mas uma gosma semi-líquida que vem quente, fumegante, escorrente.

Eles têm uma
compreensão fácil, nítida, perfeita, profunda de que estes mísseis teleguiados nos atingirão. Se tivessem dentes, eles ririam. Provavelmente apenas estremecem os bicos de prazer, de deleite por tão ousada ousadia. De certo o bico é usado como mira para um perfeito atingir do alvo.
Não são uma
pessoa de grande capacidade intelectual, mas de certo já atingiram muitas, o que coloca a questão de quem terá a maior capacidade...

Alguns dirão que tudo isto será
um conluio, um ajuste de contas, uma combinação;um conjunto de entendimentos secretos, combinações entre pombos para destruir a nossa sociedade. Eles escondem os seus ninhos de nós (haverá alguém que algum dia tenho visto um ninho de pombo na cidade?). Na verdade, a cidade é o seu ninho! Nós? Apenas a palha, as ervas daninhas que o compoem.

Se isso vos faz sentir bem... continuem a rir-se de nós, enquanto nós nos achamos mais inteligentes que vós. Mas... seremos?

INTELIGÊNCIA (In Dicionário de gaZpar revisto e aldrabado): ofertar aqueles que se acham intelectualmente superiores a nós com dádivas dos céus, em forma de aconchego fumegante; cagar para eles em formato aerodinamico.

16/12/2005

Push the button?

Senti-me a entrar num mundo estranho. Não parecia ser real.
Estaria a dormir? Acordadamente dormido?

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O mundo que eu sempre conheci estava a ser invadido, penetrado, violado... e eu? Inconformado.

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Pairavam sobre nós como abutres, num mundo de ideiais mortos.
O mundo é bom, o mundo é mau, mas não poder ser bom e ser mau.
Um lado é bom, um lado é mau. Do meu lado é bom, do teu é mau.

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Senti-me pisado, espezinhado, esborrachado por tamanha injustiça.
Eu? Apenas a barata!

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Lá estão eles. São notícia. Tornaram-se notícia. Fizeram-se notícia.
Já deixou de ser notícia... apenas mais uma mílicia, fardada de justiça.

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Aqueles... pobres deles. Apenas mais um robô. E mais outro. E mais outro.
Tudo não passa de um jogo virtual, de dano colateral.

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As casualidades são só isso mesmo: casuais.
Também ocasionais, muitas individuais, mas com consequências globais.

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Alguém está lá fora a olhar por nós, a zelar por nós. É tudo para nosso bem, para nossa protecção.
Mas então porque soa tudo vago e estranho? Talvez ainda esteja a sonhar...

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A luz nos protegerá, aquecerá, iluminará.
Essa luz que vem do céu e que tem do outro lado a terra... que se faz guerra e enterra.
Para quê preocupar? Alguém por nós olhará, matará, mas de certo não sentirá.

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Apenas necessitamos de ter fé na civilização
.
Eles nos guiarão.


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Apenas necessitamos de ter fé na religião.
Eles nos guiarão.


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Eles nos hipnotizarão!
Nos controlarão.

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E nós? Não haverá nós. Nem voz.
Apenas eles e os outros.
Eles, os de bem.
Bem?

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Este mundo é estranho. Não quero mais dormir.
Vou acordar, antes que alguém carregue no botão!

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Push the button?

Inspiração e imagens recolhidas no concerto de Chemical Brothers
07/12/2005, Plymouth Pavillions

13/12/2005

Verbatim I: Mudar

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Marquês de Pombal, 1930


Eu mudei.
Tu mudaste.
Ele mudou.
Nós mudámos e não voltaremos a ser os mesmos.
Nós aprendemos ou talvez não. Não sabemos. Apenas o desejamos.
Vós mudasteis mais do que eu pensaria. Tu não o esperavas e eu nem sabia o que esperar.
Mas eles... eles não mudaram. Ficaram presos ao passado e não evoluiram.
Eu? Eu mudei. E tu também.
Ficaremos à espero do próximo verbo que se torne passado.

11/12/2005

Pensamentos caústicos VII

As aves constiparam-se e o mundo vai acabar.
Isso quer dizer que ser vegetariano não me serviu para nada?
Merda!

05/12/2005

San Francisco feito de cores e sons

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E assim o meu mundo feito de cinzento foi invadido de cores e sons.
A cidade sempre a mesma... mesmas pessoas, mesmos carros, mesmas ruas.
Mas mudou, porque se travestiu de cores e sons.
E assim a mudança de fora veio para dentro e as
mesmas pessoas, mesmos carros, mesmas ruas, de alguma forma deixaram de ser as mesmas pessoas, mesmos carros, mesmas ruas, porque também isso mudou.
Assim mudou, transformou e cicatrizou.
Modificou o negro e branco e deu-lhe vida. Despertou.
E assim... assim mudou!

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Inpirado num dos melhores anúncios televisivos dos últimos tempos, cuja página oficial se encontra aqui e no qual a cidade de San Francisco foi invadida por milhares de bolas saltitantes e multicolores. A comprovar no video com versão de alta qualidade aqui ou de baixa qualidade aqui.

As imagens são acompanhadas por um músico que para mim foi uma descoberta interessante e original, ainda que beba da mesma fonte SimonGurfankeliana e NickDrakiana que os Kings of Convenience... mas representando uma evolução positiva face ao NAM (new acoustic movement).
Este senhor chama-se
José González e podem encontrar um excerto da música que acompanha o anúncio aqui.
O álbum Veneer já toca no meu pc! E vale a pena.

Para ver o video de alta qualidade, é necessário banda larga e instalar a ultima versão do quicktime player.

02/12/2005

Are you local?: League of Gentleman ao vivo

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É assim no Reino Unido...
Faz-se uma série televisiva que alcança um relativo sucesso e aproveita-se esse sucesso para ir para a estrada e tentar alcançar outros públicos, no intervalo entre séries (ou no caso dos patrões não quererem continuá-la na TV...).
A "League of Gentleman" é disso exemplo (destronada apenas pelo mais recente sucesso da comédia britânica, denominado "Little Britain").
Para os que esperam ver um espectáculo similar à série televisiva, mas apenas com um cenário maior e interacção... desiludam-se. As personagens são as mesmas, mas o ambiente criado não faz juz à série. Como peça televisiva adaptada ao teatro, não traz muito de original.
Mas olhemos para a peça por si só e esqueçamos a TV. As coisas mudam de figura. Uma das melhores peças de teatro que já vi.
Numa primeira parte, tudo se passa à volta de uma audição para representar uma versão do nascimento de Jesus... oportunidade para eles incluirem a piada: qual a semelhança entre Harry Potter e a Bíblia? Ambos falam de um menino que faz coisas mágicas e têm o mesmo tamanho... Felizmente as piadas foram melhorando.

A segunda parte, dominada pela natureza humana esquizofrénica e negra que dá à série a sua qualidade. Descidas ao inferno, uma versão negra da cinderela (literalmente, pois o príncipe era negro... e a cinderela a mais feia da aldeia), um Carnaval do Rio adaptado a este universo, uma análise veterinária de uma vaca (com a ajuda de uma rapariga do público, que levou como presente gosma verde nos braços) ou um médium que (supostamente) fala com os mortos.
Os que parecem mais normais são talvez os mais loucos e os mais loucos, são sempre loucos. A perversão, sadismo, sarcasmo, ironia... tudo está lá.
O melhor? O casal dono da "Local Shop for Local People". Froid ficaria contente de os estudar como caso clínico, de tanta perversão que por ali anda. "Are you local???"
Algumas aprendizagens:
- A forma politicamente correcta de chamar anão a alguém:
People Of Reduced Growth; mas que também é um perigo, pois podem ser chamados de
PORGs (semelhante a Pork=carne de porco; gordo).
- "Never sleep with a pig, because if you do, both of you are filthy, but the pig enjoys it..."

Para finalizar, algo que traduz o estado de espírito associado à cidade onde decorreu o espectáculo:
- "Where do you come from my dear?".
- "Plymouth".
- "I am sorry...".
- "From Plymouth".
- "No... I meant, I am really sorry!"

28 Novembro- Plymouth Pavillions

27/11/2005

Pensamentos caústicos V

Eu penso, logo existo.
Mas se existo logo, não existo agora e nunca existi...
Mas existirei! Ainda há esperança.

24/11/2005

Pensamentos caústicos I

Planear experiências científicas é como dar à luz.
Nunca sabemos o quanto doi fazê-lo, até passarmos por isso...

18/11/2005

Futurama I

Terá a moda da retromúsica os dias contados?
Não preciso dizer que há uma moda de plagiar ou inspirar-se em música já existente. É evidente.
Dos mais indie e alternativos (seja lá o que isso quer dizer) aos mais usa-e-deita-fora e comerciais, (quase) todos o fazem.
E parece haver um padrão... ora vejamos o caso dos
mais ou menos indie e alternativos.

Os pré ultra difundido plágio
Podemos dizer que a britpop foi o sinal de que o apocalipse das ideias originais estava próximo.
Os Oasis imitavam os Beatles (ou tocavam os acordes deles em ordem inversa... vai dar ao mesmo), os Blur imitavam os Smiths. Os outros imitavam todos os outros e mais estes.
Alguém percebeu que estaria aqui uma mina de platina.

Os quase originais mas ainda plágio
Mais ou menos na mesma altura vigorava a lei do Grunge. Kobain era o rei. O rei morreu, viva o rei (qualquer semelhança com o rei Elvis é completamente propositada).
Os Nirvana foram classificados como originais, os líderes do Grunge. Do Grunge nada tinham de igual excepto a cidade de origem (Seatle). De original... bebiam da fonte de inspiração dos Pixies, Sonic Youth, Mudhoney, Melvins e outros similares.
Os tais do Grunge, aninhavam-se nos braços do avô Neil Young e juntavam-lhe distorção.
Descrição simplista, mas realista.
O rei morreu... acabou a criação, a imaginação.

De volta ao passado recente, de plágio presente
Apesar de algumas tentativas como é exemplo o Tripop, o caso parecia complicado.
Na ausência de ideias e com casos bem sucedidos de plágio no passado (vide Oasis), a fórmula parecia simples. Tocar como no passado com a tecnologia de hoje.
Mas tudo pareceu processar-se com uma certa ordem cronológica.

Os setentialistas
Apareceram ou tornaram-se famosas bandas inspiradas nos anos 60/70 como os White Stripes, The Strokes, The Datsuns, Kings of Leon, The Hives, The Coral, The Darkness (estes deviam ter a sua própria categoria...), The Raveonettes e tudo o que tivesse um "The" antes do nome. Os Dandy Warhols já por cá andavam.

Os electrocto
Desta feita chegaram os electroclash e electro-qualquer-coisa-que-soe-a-anos-80-e-um-pouco-a-70s. The Killers, The Bravery, Fischerspooner, Scissor Scisters, Maximo Park, LCD Soundsystem, Franz Ferdinand, Interpol, Bloc Party, The Faint, Dead 60s, Kaiser Chiefs,
Arctic Monckeys, The Strokes, VHS or Beta, Chromeo, The Futureheads, The Rapture, Radio4 e outros tantos. Talvez seja injusto estarem todos no mesmo saco... ou talvez não.

Os novesgrunge
Chegou a vez dos anos 90. Venham os Autolux, BabyShambles, Nine Black Alps, Subways, The Strokes (mais uma vez) e outros que estão para aparecer.

Os NotYouToo
Para além dos representantes de décadas, há os representantes de conceitos e de bandas...
Veja-se o caso dos Kaiser Chiefs,
The Streets, Kasabian, Graham Coxon, Supergrass e Stereophonics (estes três ainda se mantêm da primeira leva), os novos representantes do britpop (os Blur continuam a ser uma influência).
Os Oasis, que há muito deixaram de imitar os Beatles para se imitarem a eles próprios.
Ou mais flagrante, os Coldplay, que deixaram de representar os Radiohead e agora querem ser U2. Atrás deles, veio toda uma onda de "quero ser como os coldplay, por isso arrangem-me um piano", sendo os Keane os seus mais fiéis seguidores. O problema: a partir daqui toda a banda que tenha piano soa a Coldplay...

Os deixa-lá-ver-o-que-vem-para-aí
Poucos representantes nesta categoria. São aqueles que começam a ficar velhitos, mas evoluiram. Cresceram. São originais e ainda despertam interesse.
Radiohead, Massive Attack, Nine Inch Nails, Depeche Mode, The Cure, Low, Calexico, Muse, Bjork e muitos outros felizmente!

Muita coisa ficou de fora, mas a ideia é: olhem para a evolução de uma banda como os The Strokes e percebem o que digo. Começaram nos 60/70 no primeiro álbum, passaram pelos 80 no segundo e estão nos 90 agora no terceiro (pelo que o 1º single "Juicebox" dá a ver). Será que vão fazer algo original nos próximos?

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Foto retirada de: http://www.reviewjournal.com/webextras/gallery/stroud/ent23.html

15/11/2005

Como queimar 98% dos neurónios em menos de 24h

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Nunca até hoje, no mesmo dia, usei recursos mentais de forma tão diferente.
Aos meus neurónios foi-lhes exigido pensar em termos concretos, passando aos abstractos e voltando aos concretos.

Uma parte de mim discorre em pensamentos daquilo que é palpável, tangível e mensurável.
O universo explicado em números, traduzido em coeficientes, numa diarreia matemática verbal e escrita. Sinto-me um cientista, experimentando, calculando, controlando... imergindo-me numa análise analítica, crítica e científica. O saber protege-me, defende-me da subjectividade. Promove a objectividade, a frieza e imparcialidade. Estou seguro.
Deixei de o estar.

Viajo pela mente de um filósofo e perco-me dentro dele.
O chão parece fugir-me dos pés, sinto-me a flutuar mas não sei o que sinto por causa disso. Passa-me pela cabeça que o consumo de opiáceos deverá produzir um efeito semelhante.
A parte científica de mim parece envergonhada e teima em esconder-se, assustada.
O universo é agora explicado por aquilo que pensamos que ele significa. É traduzido em ideias, insights, de características imaginadas, inalteradas e incontroladas. Não há códigos ou filtros. Sai como sai e cada um lhe atribui um significado... nem sempre partilhado.
Qualquer tentativa de experiência traduz-se em empiricismo, em observado ou pensado. Sinto-me inseguro, mas ao mesmo tempo mais próximo de uma verdade que os métodos científicos actuais não conseguem interpretar. Imergido em subjectividade, emotividade e parcialidade.

Volto a procurar a segurança. Volto ao concreto, ao que
é palpável, tangível e mensurável.
Respiro de alívio. Mas por alguma razão sinto-me mais longe da verdade, da imaginação, da criatividade. Da possibilidade de criação de novos teorias, baseadas em novas ideias e discussões.
Volto a sentir-me inseguro, mas agora na suposta segurança.
A solidez já na me parece tão sólida. A objectividade parece algo subjectiva.

Talvez em vez de alternar, devesse utilizar os dois pensamentos em simultâneo.
Não preciso de dois cérebros. Apenas de me libertar das inibições de cada um deles. Libertar-me.

Com os 2% de neurónios que restaram, vou sonhar com essa possibilidade enquanto calculo as probabilidades de isso acontecer um dia...

Reflexões esquizofrénicas causadas por: Realização de análises estatísticas baseadas em regressões múltiplas, passando ao pensamento crítico sobre um texto de Wittgenstein acerca da filosofia da mente e voltando à regressão logística e modelos log-linear.

13/11/2005

Apenas mais um comboio

Por vezes a vida parece uma estação de metro.
Às vezes estamos na estação errada, outras na carruagem errada.
Às vezes as pessoas à nossa volta estão erradas, outras as coisas dentro de nós estão erradas.
Às vezes a linha é amarela, verde, vermelha, azul... outras não passa de um túnel negro.
Às vezes queremos ir para um sítio mas a linha ainda não foi construída.
Outras queremos ir para onde sempre fomos e vemos que de dia para dia as linhas se deterioram.
Às vezes as linhas cruzam-se e mudamos de umas para outras. Outras vezes queremos apenas ir directos para onde queremos ir.
Para alguns a luz ao fundo do túnel é esperança, para outros é apenas mais um comboio.
Por vezes até chegamos a pensar como seria comandar essas linhas e esses comboios, mas acabamos sempre por nos deixar guiar, seguir e conformar. É a regra.
Todos os dias mais do mesmo... mesmas linhas, cruzamentos, entroncamentos de sentimentos.
Por vezes desviamo-nos do comboio, outras somos trespassados por ele.
Por vezes somos apanhados sem bilhete e tentamos fugir. Mas acabamos sempre por voltar.
Voltar e apanhar... apenas mais um comboio. E esperar... esperar ou tentar mudar de lugar... ou apenas parar.
E deixar... andar.

The Subways
- Young for eternity

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10/11/2005

Bem vindos ao mundo de Lauro Dermio

Querem rir um pouco?
Lembram-se da personagem do Herman, o crítico de cinema Lauro Dérmio?

Pois traduzam este blog aqui e vão rir de certeza. Prometo!
Ou então o meu outro blog traduzido para português (do Brasil...).

É uma experiência totalmente alucinante sem recorrer a químicos.
Muuuuito bom!
Obrigado ao senhor zoick pela ideia. ;)

06/11/2005

Vejo que tem um mal estar no coração

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Entre por favor. Estou aqui para o curar.

Vejo que tem um mal estar no coração. Talvez uma injecção de alegria o ajudasse, mas temo que os anticorpos da solidão reduzissem a eficácia do tratamento.

Penso que um pouco de exercício ajudará. Ponha os músculos do coração a trabalhar de tempos a tempos.

Olhando para as suas artérias sob pressão, imagino que a actividade cerebral seja intensa. Aconselho cozinhar os seus pensamentos em lume brando juntando sumo de tranquilidade, até chegar ao ponto de relaxamento e cristalização.

Poderá prevenir qualquer gripe se descansar em casa, mas quando sair recomendo agasalhar-se de amigos e aquecer-se nas suas palavras.

Ingira uma colher de sabedoria duas vezes ao dia e três de ponderação. Mas pondere sobre isso. Não queira dar imagem de sabedor, sem nada saber.

Recomendo umas análises aos “maus figados” e às “dores de cotovelo” pois poderá criar em si uma maldade crónica, incurável, insuportável.

Seja paciente, senhor paciente e aguarde a evolução da sua situação.

Siga o tratamento e quem sabe não precise de nenhuma operação ou intervenção de melhoramento do coração.

A saída é no terceiro piso, ala 4. Tenha uma boa tarde!

29/10/2005

Faça favor de passar: Bloc Party e Patrick Wolf em concerto

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Entremos.
Sítio interessante este. Parece mais um pub com espaço para concertos do que uma sala de espectáculos. Talvez por isso toda a gente esteja com uma "pint" na mão. Maioritariamente adolescentes. Explica-se pela paragem no calendário escolar por alguns dias.

Entrámos.
Parece que já começou alguma coisa... está uma figura estranha no palco... Mas não era suposto ser só um concerto de Bloc Party? Parece que trouxeram um convidado. Espera... parece... não pode ser... não tenho assim tanta sorte... sim! É ele! Um bónus inesperado. É o...

Patrick Wolf - Imaginemos uma mistura entre os Dandy Warhols e uma versão mais jovem (twenty something) do Antony e obtemos este moço.
Vestido com se de um boneco de pano se tratasse, com um meio capuz preso ao cinto por uma fita de tecido e um cabelo (e não só) a fazer lembrar o senhor Courtney Taylor-Taylor dos Dandy Warhols.
Um piano e guitarras acústicas para ele, um violino para a senhora e uma bateria para o outro senhor e está o espectáculo montado.
Impressiona. Pela imagem, pela simplicidade das músicas, pela inocência arty e pela força acústica que quase faz esquecer que é acústica.
Perde. Pela falta de alguns instrumentos que preenchessem alguns dos vazios nas músicas, aqueles espaços de som puro mas inacabado.
Valeu o esforço de convencer a plateia semi-bêbeda que aplaudiu a saída de forma efusiva. O moço deve ter ficado contente sim senhor.

Esperemos.
Sim, sim. Quer passar para ir ter com os seus amigos? Concerteza. Excuse me? Of course. Deixou a sua mulher grávida no centro da plateia? Sim. Passe. É primeiro ministro da Grunholândia? Por quem é. Querem parar de passar à nossa frente por favor!??? Damn!!!

Esperámos.
E aí vêm eles.


Bloc Party -
Olhar para os Bloc Party é como olhar para uma versão reduzida das nações unidas. Ele é raízes anglo-saxónicas, chinesas e africanas. Representam parte do mundo. E quem bem que eles representam. Mas a representação pára aí.
Toda a sua actuação foi genuína. Podia dizer que eram a banda mais alegre e feliz do mundo... e suada. Como eles próprios disseram, quando se sua muito é porque o concerto está a ser bom. Não houve qualquer referência ao cheiro envolvido.
Duas ou três músicas novas (incluindo o dançável Two More Years, que amavelmente ofereceram às "senhoras que dançam muito bem nas bancadas") e as músicas do álbum Silent Alarm com alguns laivos pós album de remixes (tocar a versão feita com os Death From Above 1979 em vez da original foi um exemplo).
Se se diz que os ingleses são um público frio, nunca devem ter visto um concerto de Bloc Party nestas paragens. Todas as músicas tinham eco, movimento e copos voadores (meio cheios... ou será meio vazios?).
Eles, o centro das atenções, são representantes de vários estados de espírito. A alegria e raiva contida do vocalista, a timidez do guitarrista, o ar british e intelectual do baixista e as explosões de energia do baterista (como de um corpo tão magro sai tanta força?), combinaram-se e proporcionaram um espectáculo bastante bom.

"We're gonna win this"... and they won!


25 Outubro de 2005, Carling Academy, Bristol

24/10/2005

Dúvidas existenciais III - o caso dos hetero-flexíveis

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Tenho uma dúvida existencial...
Recentemente um amigo ensinou-me uma nova palavra: hetero-flexível. Que significa isso?
HETEROSSEXUAL - adj. 2 gén., relativo à atracção ou ao comportamento sexual entre dois indivíduos de sexo diferente; designativo do enxerto dos órgãos genitais com transplantação cruzada que masculiniza as fêmeas e feminiza os machos (ok... esta não compreendi...); s. 2 gén., indivíduo heterossexual (In Dicionário de Língua Portuguesa Online).
FLEXÍVEL -
do Lat. flexibile; adj. 2 gén., que se pode dobrar; que se pode curvar; fácil de dobrar; fig., dócil; maleável; submisso, complacente (In Dicionário de Língua Portuguesa Online).

HETEROFLEXÍVEL - do Lat. heteroflexibilis; s. 2 gén., indíviduo heterossexual que se pode dobrar, curvar, que é facil de dobrar; maleável, submisso e complacente (In Dicionário de gaZpar, versão revista e aldrabada).

Portanto, será alguém que apesar de estar habituado a vaginus lambensis (peço desculpa pelo
nível), também gosta de se dobrar de vez em quando, submetendo-se à vontade de terceiros, quartos ou a quem quiser...

Portanto é alguém que dirá: "Ok. Vou ali e já venho!". Mas nem todos voltam...