17/05/2006
Abri as portas e deixai entrar a ignorância - abertura do Campo Pequeno
Abri as portas e deixai entrar a ignorância. Vestida de trajes caros, cheirando a cosmopolitismo de validade expirada e mascarada de humanidade.
Abri as portas ao sensasionalismo. As obras precisam de ser pagas com sangue televisionado, aplaudido, de um pobre massacrado.
Abri as portas do templo e oremos à crueldade em nome da tradição, pois o passado justifica o presente.
É tradição ser cruel, matar, sacrificar. É a tradição, não somos nós!
A tradição de ser inconsciente e agir de forma inconsistente com os valores que desejariamos ter.
Abri as portas... para fora deste planeta, porque dele não quero fazer parte!
Para mais informações, consultar:
The Rakes - We are all animals (audio)
Calexico - Cruel (video abaixo)
11/05/2006
O meu poema simples V: Não me viste?
Claro que estava!
Vestido de amizade, trajado a sorrisos, escondido num qualquer armário feito de emoção.
Não me viste?
08/05/2006
Merdinhas
Pessoazinhas com as suas merdinhas tão grandinhas, mas que não passam de coisinhas. Ínfimas, pequeninas, mesquinhas... coitadinhas!
Falando em conversinhas, escondidinhas, surrateirazinhas.
Alcoviteirinhas, comentando as outras pessoas... aos seus olhos pessoazinhas.
Mansinhas as falinhas, com seus pézinhos de algodão com o chefão, procurando um qualquer poderzinho... um dia grandão!
Merdinhas atrás de merdinhas. Merdinhas e mais merdinhas. Acabando por se tornar cagalhão e criar confusão!
Para mais informações consultar:
World Leader Pretend - Bang Theory (video)
03/05/2006
Guerras desenhadas
O inacreditável, impossível, inimaginável parece mais banal.
Nada me surpreende. Nada me espanta. Nada se cria, tudo se destroi. Nada se transforma.
Agora os montros vão ao cinema ver os humanos.
A banda desanhada torna-se mais real e a vida já nos parece ficção.
Onde estão os heróis de outros tempos? Aqueles valentes, honrados, clementes?
Onde está a época de ouro ou de fina prata?
Onde está o sonho de antes, a fantasia do passado?
Quero ser criança outra vez e navegar por mundos impossíveis, fantásticos.
Mas não posso. Obrigam-me a ser adulto, a viver no assustador.
A fantasia essa, já se tornou real. E já não nos permite sonhar!
Porque sonhar já não é possível como antes, a não perder a real ficção:
Marvel - Civil War: Herói contra herói no universo Marvel. Prelúdios aqui:

X-men - Civil War: o maior inimigo dos x-men toma forma no interior dos próprios x-men. Brevemente!

E se isto já não é suficiente, espantemo-nos com outras realidades:
Frank Miller - Batman: Holy Terror, uma nova graphic novel do cavaleiro das trevas contra a Al-Qaeda. Brevemente!
29/04/2006
Monstros
Tenho medo da história, das pessoas, de nós, deles e de outros como nós.
Que me fechem no escuro dentro deles e de nós.
Que me cubram de sensatez deformada, alterada por qualquer acção mal intencionada.
Que nós os aceitemos e não questionemos, combatemos.
Os aceitemos. Os seguiremos. Os não aceitemos ou seguiremos. Nós decidiremos.
Nós? Alguns de nós pelo menos.
Monstros.
Tenho medo que eles nos façam a história e clamem vitória.
Isso sim é assustador, aterrador e algo compremetedor.
Monstros? Esses vão ao cinema ver os humanos.
Assustados com o irreal, pois o mal real já lhes é banal.
Monstros? Não existem.
Humanos? Tenho medo.
Mãe?
Para mais informações sobre monstros humanos e histórias desumanas, consultar o melhor filme de terror dos últimos anos: Silent Hill.
Até porque os monstros não são aqueles que o parecem!
Já vi. Reflecti e aqui transcrevi!
25/04/2006
O meu poema simples IV: Porque
Porque me fazes sentir bem.
Porque estou bem.
Porque sim.
Porque
sim.
.
19/04/2006
Dúvidas existenciais V: O caso dos coelhos da Páscoa
Tenho uma dúvida existencial...
Chega a época da Páscoa. Os coelhinhos põem ovos de chocolate para regalo dos petizes e seus pais. Há de tudo. Ovos pequenos, grandes, recheados para fazer crescer os desdentados.
Mas espera... os coelhos fazem o quê? Põem ovos de chocolate?!!
COELHO - do Lat. cuniculu; s. m., Zool., animal mamífero da ordem dos roedores.
CHOCOLATE - do Cast. chocolate; s. m., pasta alimentar que se prepara com cacau, açúcar e outras substâncias.
OVO - do Lat. ovu; s. m., Biol., corpo formado no ovário e em que se encerra o germe do novo animal e líquidos destinados a sustentar esse germe, durante o período de incubação. (In Dicionário de Língua Portuguesa Online).
Ora bem. Se um animal como o coelho põe ovos de chocolate, significa que dentro dele deverá existir o germe do novo ser (vulgo, chocolate). Para esse germe existir, deverá o coelho ter sido injectado (vulgo, espermatizado) com a pasta alimentar achocolatada que servirá de base ao seu desenvolvimento. Tudo isto ocorrendo por obra de um milagre pascal (vulgo, tretas).
Ai coelhinho, coelhinho... andás-te a ser fodido por uma barra de chocolate não foi? Seu doido!
P.s. - Só não percebo qual é o papel de Jesus nesta história!?... Hmmmmm...
A scary bunny... 16/04/2006
Que será de mim sem teeth?
Quando apareceste na minha vida perguntei: o que fazes aqui? Não precisava de ti, mas aos poucos tornáste-te parte dela. Estavas lá. Sempre lá.
Agora? Agora tenho saudades.
Fiquei ligado a ti depois de te teres desligado de mim.
Doeu quando te foste embora.
Um buraco em mim ficou.
Arrancaram-te da minha vida sem eu nada poder dizer.
Disseram-me: É preciso. É para o seu bem.
Ja não sinto a tua presenca. Falta-me algo.
Não sei o que vou fazer sem ti... Meu querido dente do ciso!
Outros especialistas mais ou menos dentistas em:
Nine Inch Nails - With Teeth
Wilco - Summer Teeth
Sparklehorse - Sea of Teeth
Devendra Banhart - Lend me your teeth
Death Cab for Cutie - Crooked Teeth
Tindersticks - Milky Teeth
Supergrass - Kick in the Teeth
Fischerspooner - A Kick in the Teeth
13/04/2006
gaZpar diz que é apoiável: Sobre os downloads de música e afins
A indústria continua viva e os autores continuam a criar.
Como em tudo há que ser responsável.
Faço downloads sim, porque me permitem conhecer autores/bandas que de outra forma não poderia, já que as rádios perderam essa função.
Aqueles que realmente gosto, compro! Considero-me um pirata responsável.
Gosto de ter um formato fisico das coisas que gosto (nunca poderei substituir os originais e bem conceptualizados albuns dos Radiohead ou Massive Attack entre outros, por uns ficheiros mp3 algures enfiados no meu computador).
Quando somos realmente fãs, respeitamos o artista.
Se calhar há tantos downloads ilegais porque são poucos os artistas bons o suficiente para que ganhem o nosso respeito! É um problema de qualidade, não do formato!
E não me venham dizer que o que é bom são as plataformas legais como o Itunes... as palavras "monopólio do mercado" e "anti-democrático" vêm-me à cabeça. É óbvio que lhes convém que alguns downloads sejam ilegais...
Pronto sapinho! Podes sair da garganta que eu não te vou engolir!
11/04/2006
Pensamentos caústicos VIII
E assim vai o mundo democrático...
Para mais informações sobre o estado do mundo consultar:
Jamiroquai - Virtual Insanity
04/04/2006
gazpar diz que é apoiável: Pedro Tochas e o estado da cultura
Pensei se haveria de colocar isto aqui ou não. Decidi-me por o fazer!
Sendo eu membro da mailing list do Pedro Tochas, o tal dos anúncios do Frize (que infelizmente é o único trabalho porque é reconhecido) ou para mim um dos ou mesmo O melhor stand-up comediant português (o trabalho pelo qual devia ser verdadeiramente reconhecido) e tendo recebido isto, decidi partilhá-lo.
Melhor demonstração de como está a cultura portuguesa é difícil. E não só a cultura... debato-me com a mesma questão que o Pedro ao nível da minha carreira académica/científica!
Aqui fica o email transcrito na íntegra e o meu apoio.
Estou numa fase muito "interessante" da minha carreira.Por um lado, ganhei um prémio na Austrália com o espectáculo “O Palhaço Escultor”.
Por outro lado, sinto que em Portugal não tenho público para o meu trabalho.
Agora estou num dilema: qual deverá ser a direcção do meu trabalho?
Criar espectáculos para apresentar fora de Portugal, onde me dão valor,
ou criar espectáculos para o público português e ficar a trabalhar para o boneco?
Para mim não ter público é um problema muito grave.
Como eu não recebo qualquer apoio do estado, o público é que me paga o ordenado
com os bilhetes que compra; nem todos podem criar coisas sem pensar no
eventual público que vão ter, pois é... porque eu não faço cinema português!
Depois de pensar no assunto, chego à conclusão que em Portugal deve haver
umas 3000 pessoas que vão aos meus espectáculos num ano (estou a ser optimista, claro).
1500 em Lisboa
500 no Porto
500 em Coimbra
500 no resto do pais
(todas as estimativas por excesso)
Na Austrália tive mais do que isso num dia e ainda recebi um prémio.
Em Edimburgo tenho 400 a 500 pessoas por espectáculo, com um ou dois
espectáculos por dia, durante três semanas e meia.
Por muito que goste de Portugal, estes dados dão que pensar.
Quando se aproxima uma temporada no Teatro da Trindade, ainda penso mais nisso.
Será que vai aparecer alguém? Vou vender bilhetes que cheguem para pagar a sala???
Caso venda poucos bilhetes, posso concluir uma coisa: O sonho acabou...em Portugal.
Ou então começo a fazer filmes, 1000 espectadores para um filme apoiado pelo
estado em um milhão de euros é o normal.
Mas não, eu gosto de ter público, quero partilhar o meu trabalho com o mundo,
não gosto de fazer coisas só para um pequeno grupo de amigos. Por isso, agora é só esperar para ver qual é a adesão ao meu trabalho.
Desculpa o meu desabafo, mas cada vez que volto a Portugal, depois de passar
tempo fora, acontece isto:
Venho cheio de vontade de fazer coisas, de desenvolver novos projectos,
de partilhar o que aprendi, acima de tudo, regresso cheio de entusiasmo criativo.
Mas basta um dia….ler um jornal…..ver uns minutos de televisão (feita em Portugal)….
Olhar à minha volta e ver:
Um País que é um paraíso para a corrupção e os corruptos, onde o povo os apoia e até os elege para cargos públicos.
Um País onde o sistema jurídico simplesmente não funciona, mas onde o povo gosta de seguir as novelas legais.
Um País onde os chico-espertos são valorizados e os competentes desprezados.
Um País onde nunca ninguém é responsabilizado por aquilo que faz, porque isso é coisa dos outros.
Um País onde a esperança num futuro melhor é coisa do passado.
E todo esse entusiasmo desaparece.
Ainda por cima, quando fora deste país as coisas funcionam.
Mas mesmo assim, vou tentar mais uma vez.
Vou fazer uma nova temporada no Teatro da Trindade.
Será a ultima?
Não sei, mas como a venda de bilhetes está a decorrer, é o mais certo
Vou terminar com o que digo sempre que acabo um espectáculo de rua por esse mundo fora:
"My name is Pedro.
I am from Portugal.
This is what I do for a living,
I am a Street Performer,
and my job is to make people smile."
Haverá em Portugal mercado de trabalho para quem somente quer fazer sorrir?
;)
01/04/2006
Agora que posso voar/Butterfly Caught - Massive Attack
Agora que posso voar, sinto-me aprisionado pelas circunstâncias, pelas inconstâncias da vida.
Já não sou crisálida. Saí do meu casulo e voei.
Mas sonhei a liberdade apenas para perceber que estava preso pela vida, pelo o que ela quer para mim, sem nada perguntar.
“Cuidado com o muro, lembra-te do vento, foge da rede! Podes ser livre e voar, mas... não te aproximes da luz porque ela pode queimar. Não queiras voar alto para não mais voltar. Não queiras ser diferente porque as tuas asas são iguais às de toda a gente. Não voes para longe pois o caminho de volta podes não encontrar.”
Sim, mas agora é tarde! A crisálida tornou-se mariposa e agora só quer voar, voar... veremos onde isto vai dar.
Massive Attack - Butterfly CaughtMassive Attack - The best of Massive Attack
Já à venda!
28/03/2006
Um Waffle que faz sentido
Quero resistir, partir, daqui sair!
Estão a chamar por mim... consigo ouvi-los.
"Come-me, ingere-me, degusta-me, mastiga-me, trinca-me, lambe-me, prova-me... perde a cabeça!"
Fazem-me suar, pensar: Que ansiedade, que stresse, que incerteza!
Deixem-me em paz. A minha barriga não vos pode ter. Apenas os olhos vos podem comer.
Calem-se. Já não vos posso ouvir. Parem!
Muito bem... só desta vez. Mas tenho medo que se siga uma e outra vez, perdendo gradualmente a lucidez.
Venceram! Terei de vos comer, pois só assim se calarão.
Mas da próxima, da próxima... será diferente! Serei valente! Ah!
(E assim me engano, pensando que resistirei da próxima vez...)

Adoro Bruxelas...
24/03/2006
gaZpar diz que é ouvível: Stephen Lynch
Stephen Lynch.
Define-se como "comedic singer songwriter".
Se Elliot Smith, Nick Drake, Devendra Banhart, Jeff Buckley ou outros cantautores se tornassem comediantes, de certo se chamariam Stephen Lynch.
Poeta de coisas simples, cantor do quotidiano, trovador do dia-a-dia, ele consegue transformar aspectos (alguns menos bons) com que nos confrontamos todos os dias nas nossas vidas ou na vida de outros e transforma-os em canções.
Um poeta pode escrever com uma guitarra. Um poeta pode ser um comediante. Um comediante pode cantar e tocar guitarra. E tudo isso faz sentido.
Vale a pena perder algum tempo a ouvi-lo. Algum dia será famoso. Tem talento pois então!
Imprescindível ouvir:
When grandfather dies
Também a ouvir:
If I were gay
Super hero
Best friends song
Mais informações na página oficial ou mais músicas aqui.
20/03/2006
Um país que faz sentido
As crianças da primária aprendem a nadar com a roupa vestida... faz sentido! Com a quantidade de canais fluviais em que o risco de elas cairem é elevado, faz sentido aprenderem a nadar com roupa, pois ela restringe os movimentos.
"Vai por as cervejas lá fora para arrefecerem"... faz sentido! A temperatura exterior nesta altura do ano é inferior à do interior de um frigorífico.
A maquina de lavar está sempre na casa de banho... faz sentido! Quando vamos tomar banho ou lavar-nos, podemos pôr logo na máquina em vez de a guardar em caixas bolorentas.
As coffee shops vendem drogas leves, mas não alcoól... faz sentido! A mistura de ambos é perigosa e os donos desses lugares habitualmente são muçulmanos, cuja religião não permite o consumo de alcoól.
De certeza haverá mais coisas que fazem sentido porque afinal... é um país que faz sentido!
Outros haverá que...
18/03/2006
Pensamentos causticos VII
08/03/2006
My name is Ruiqiang Wang
No... not anymore. My name is Ruiqiang Wang!
Alertado para o insólito facto por um amigo, fiz uma pesquisa do meu nome na base de dados de emails da faculdade onde estou aqui no Reino Unido.
Para minha surpresa, o nome "Rui" parece ser bem comum na China.
Não só não sabem pronunciar o meu nome correctamente aqui, como agora virei chinês e tenho uma veia empresarial (pela quantidade de Ruis que parecem enveredar por esse caminho, aqui demonstrada).
Seja...
Serei Xu, serei Zhang, talvez Li ou Wang. Acrescentarei um hua ou um qiang, quem sabe serei Ruiqiang, filho de Wang.
Descendente de longas dinastias, fazedores de cerâmicas, exploradores terrestres, talvez até comerciantes de especiarias, afrodisíacos ou apenas de patifarias.
As minhas feições mudarão e serei diferente, do oriente.
Pintarei minhas letras, em vez de as escrever. Serei dono da sabedoria milenar.
Mudarei meu nome.
Serei Xu, serei Zhang, talvez Li ou Wang. Acrescentarei um hua ou um qiang...
Isso. Serei Ruiqiang, filho de Wang!
E a minha vida será diferente. O mesmo Rui, mas do oriente!

03/03/2006
Anúncio de jornal III - livre-se de pessoas indesejáveis
Que fazer? Fazê-las desaparecer mas sem ninguém saber!
É essa opção que é dada neste anúncio de jornal.
E a vizinhança até ajuda!

TPC: Fazer uma lista.
Nota mental: lembrar que o barracão é pequeno...
Outros métodos de desaparecimento em:
How to disappear completely - Radiohead
I disappear - The Faint
27/02/2006
gaZpar diz que é ouvível: Morningwood
Não pretendo impor nada, apenas partilhar o meu gosto. Aqui vão os primeiros.
Álbuns
Morningwood - Morningwood
Altamente ouvível, viciante e recomendável.
Misturem a música das Veruca Salt, The Breeders, Le Tigre, Luscious Jackson e umas quantas bandas em que o sexo feminino é dominante na voz e/ou no que respeita aos membros (e porque não as L7 também?!), vistam-nas de heavy metal, punk rock e "atitude" e nascem os Morningwood.
De facto sexualidade é o que mais transparece nas suas músicas e "Sexy music for sexy people" é o seu lema. Se os Electric Six tivessem uma contraparte feminina, de certo chamar-se-iam Morningwood.
Como se descrevem a eles próprios? "A monster truck having sex with a Bond girl".
Constituídos entre outros por Chantal Claret (voz) e Pedro Yanowitz (baixo, Ex-Wallflowers e Money Mark), parecem trazer uma nova e refrescante rock star feminina. Mas claro, sem tirar o brilho à nossa Karen O. (Yeah yeah yeahs).
Mais músicas da banda aqui.
Mais músicas novas e ouvíveis que por aí pululam:
Crosstide - Angeles
Test Icicles - Circle Square Triangle
Massive Attack - Live with me
24/02/2006
Anúncio de jornal II: Procura-se ser encantado
Gosto de seres com 4 olhos, 3 chifres e 2 narizes.
Tenho alguma dificuldade em falar de mim, por causa das minhas 33 personalidades.
Dá muito trabalho falar de cada uma delas.
Quando crescer quero ser... louco!
Gostava de conhecer um ser encantado, mas não em forma de príncipe aldrabado. Talvez sapo encantado?!
Todos os seres serão bem recebidos, desde que transparentes.
Um brilho interior será imprescindível e calor humano desejável.
Deverá ter simplicidade mental, sem ser simplório.
E não deverá complicar, pois isso em nada é meritório!
Se por ventura quiser conhecer-me, contacte-me por telepatia.
Se não responder, é porque estou ocupado a sonhar...
21/02/2006
Anúncio de Jornal I: Procura-se nova vida
Entre os 40 e os 55 anos de extensão (não sou ambicioso). Informal, alegre, honesta e creativa.
Memórias recalcadas não serão aceites, pois podem danificar a sua qualidade.
Inclusão de mecanismos resistentes ao stress, saudades e corações partidos serão considerados um bónus e devidamente gratificado.
Deverá ser original e providenciar uma sensação de ser único, não conformista, mas humilde.
O coração e a razão devem estar em equilíbrio e não numa luta desgastante.
Optimismo realista será imprescindível.
Um extra será pago mediante envio para reciclagem da velha vida.
Se bem sucedida a reciclagem, poderá retornar ao anterior detentor para armazenamento em memória.
Por favor contactar na seguinte morada:
Sr. Procura-se Nova Vida
Rua dos Desejos, 27
Vila Pouco do Descanso
2006-02 Algures em nenhures
17/02/2006
A virus lost in translation

"Have a nice weekend. I hope the cold gets better."
I Hope the cold gets better?!
Espero que a constipação melhore?!
Mas se a constipação melhorar eu pioro...
Libertarei intermináveis rios de muco pelo nariz. A minha garganta parecerá pedra lascada. Os meus olhos tornar-se-ão cada vez mais vermelhos e as veias gritarão para sair.
As paredes dos meus pulmões colar-se-ão até eu deixar de respirar.
A febre alcançará os 50º C e queimará os meus cabelos. De porco será o cheiro.
Ficarei pneumoninóstático. Prostrádico. Acabádico.
Quando alguém finalmente perceber, já me terei tornado numa poça de gosma. Qual pseudópode unicelular!
Espero que a constipação melhore?!
Sinto-me ofendido com tal ultrajante dizer. Vou reclamar a verdade das palavras. Vou... vou mas é tomar um sumo de laranja!
Por favor consultar o doutor em:
Panic! At the disco. Álbum: A fever you can't sweat out
The Divine Comedy: The Pop Singer's Fear of the Pollen Count
16/02/2006
Insónia egocêntrica

Schh... Estou a esconder-me da insónia. Malvada. Lá anda atrás de mim outra vez.
Não tens nada melhor para fazer? Vai para junto dos que têm o turno da noite.
Oops... ouviu-me. Está correr atrás de mim. Deixa-me em paaaaz. Não. Pára. Larga-me a perna. Não. Solta-me. Aaah. Não me puxes os cabelos. Isso doi.
Aha! Então e agora? A luz já está apagada. Não me consegues ver. Ah ah ah. Enganei-te. Olha olha! Estou a dormir. Zzzzz. Estou a sonhar agora. A voar. Estou a...
Não. Ela consegue ver-me mesmo no escuro. Não a consigo enganar!
Pronto. Ganhaste. Queres ver-me cansado amanhã outra vez, não é?
Faz-me pensar em ti, vá! Em como não me deixas dormir. És tão egocêntrica.
Queres que a última coisa que pense antes de adormecer seja em ti.
Sim. Pensarei. Leve o tempo que levar, até ficar cansado de pensar e depois apenas... sonhar.
Até amanhã companheira.
14/02/2006
Portugal. The man.
Não, realmente isto não faz sentido, mas aparentemente existe uma banda algures nos "estates" que tem o nome de "Portugal. The man" e por acaso a música até nem é má.
Faz lembrar os Blond Redhead misturados com uns At the Drive-in mais melódicos. Indie rock com influências de electrónica.
Provavelmente o nome foi inventado por um americano que 1) ou não faz ideia que Portugal existe ou 2) pensa que Portugal é uma província espanhola...
Portugal. The man. - the web page
Portugal. The man. - the music
Para mais informações acerca desse tal de Portugal, consultar:
Jorge Palma - Portugal, Portugal
GNR - Portugal na CEE (UE para ser mais preciso)
Amália Rodrigues - Fado Português
Clã - Ser (Português)
11/02/2006
De novo o papel
05/02/2006
O meu papel digital
Se alguma ideia me vem a cabeca, pego num papel e escrevo... ou ligo o computador, abro o blog e escrevo.
Esta sempre a mao para poder escrever as ideias que lutam por sair.
O problema e que deixei temporariamente de ter acesso a internet em casa e isso afectou a minha escrita aqui. Deixei de ter este papel...
Acho que terei de voltar ao tradicional por uns tempos... ou abrir um documento no computador, o que nao e o mesmo.
Alguem tem um papel que me empreste?
A caneta ja eu tenho...
30/01/2006
Impaciente o Sr. S. Pedro
Se o Sr. S.Pedro esperou 52 anos, bem podia ter esperado um pouco mais ate ao proximo Inverno...
aaaaaaaaaargh!
Estou deprimido...
Ps - agradeco a todas as mensagens provenientes do meu Portugali em que fizeram questao de dizer que estava a nevar, contribuindo ainda mais para a minha depressao.
Ps2 - escusavam era de ter fechado A1 e afins. A palavra exagero flutua na minha mente, pintada de branco...
ps3 - bom, pelo menos ja vi neve por aqui... podia ser pior.
Para mais informacao, consultar os especialistas Snow Patrol e o album Final Straw.
24/01/2006
Histórias do reino de Cavaquistão
Foi só um sonho de poder procurado e alcançado.
De uma monarquia travestida de república.
Da velha raposa tornada cordeiro, calada com medo de ser acusada.
Foi só um sonho meu filho. O senhor Cavaco nunca foi presidente.
Descansa. Volta para a cama e pensa em como este reino se tornou bem melhor.
As injustiças têm os dias contados.
Não... não consigo.
Tenho algo para te contar. Já tens idade para saber a verdade.
Não foi um sonho. Foi bem real.
Voltámos ao passado. Melhor... o passado alcançou-nos, ludibriou-nos, ultrapassou-nos.
O reinado teve início.
O rei está vivo. Longa vida ao sonho!
20/01/2006
Inventário: Alarme anti choque cultural

Tenho uma ideia...
Porque não inventar um alarme anti choque cultural? Passo a explicar...
Viver num outro país implica viver numa cultura diferente e por vezes pode haver choques.
Por isso, podia ser inventado um mecanismo que os prevenisse.
Seria um dispositivo ligado directamente ao cérebro que libertaria endorfinas para relaxar o corpo sempre que se estivesse perante um potencial choque cultural.
Posso dar exemplos de situações que acontecem por aqui em Inglaterra, em que o alarme seria activado:
- Na presença de bêbados insuportáveis arraçados de hooligans.
- Na presença de louras estúpidas com mini saias e tops, ainda que estejam -123º celsius na rua.
- Quando se tem de olhar para ver se um carro vem na nossa direcção e de repente nos lembramos que estamos a olhar na direcção errada.
- Quando decidem misturar a porcaria do leite com o chá.
- Quando me lembro que o único prato verdadeiramente típico Inglês é o Fish & Chips.
- Quando dizem o meu nome, sem o conseguirem dizer.
- Quando me perguntam pela 3456ª vez se em Lisboa estava mais quente e fazia sol.
- Quando me dizem que os portugueses são um povo trabalhador (hmmm... esta não activava o alarme, apenas me faria rir até não conseguir respirar mais...).
- Quando "carinhosamente" nos chamam de "vocês do continente" (por vezes sinto-me como se estivesse na Madeira).
- Quando um café expresso é mais caro que uma tablete gigante de chocolate Milka ou um CD virgem, metade do preço de um pequeno almoço Inglês completo ou de uma refeição no refeitório dos estudantes e apresenta diferentes preços em 30 locais diferentes na mesma universidade (sendo obviamente mais barato nos locais para os professores).
- Quando acham que torrada com feijões é a melhor coisa do mundo.
- etc etc etc
Bom... é melhor pensar numa boa bateria para o alarme. Ele vai tocar muuuuuuuuuuitas vezes.
11/01/2006
E esta cabeça que não deixa dormir

E esta cabeça que não deixa dormir...
O corpo já está deitado, prostado em estado acamado. Mas ela não descansa.
Considera-se mais que o corpo. Provavelmente até acha que é uma entidade separada.
O corpo já deitado e ela discorre em verborreias mentais. Cataloga todos os acontecimentos do dia. Faz planos para o amanhã, o depois de amanhã e para os outros dias, depois do depois de amanhã.
Parece que só aprenderá quando o corpo começar a ficar cansado de estar anexado a esta mente.
Aí, por mais que ela ordene, o corpo fará uso do seu direito sindical em lugar algum escrito.
Greve! Dirá o corpo na linguagem expressional, emocional, gestual.
Negociações tomarão lugar e aí finalmente corpo e mente poderão descansar.
Até a mente de novo começar a pensar...
07/01/2006
Os melhores da música portuguesa - 2005
Não pretendendo fazer uma crítica a isso, mas porque temos de defender o que é nosso (sem nacionalismos exagerados), deixo aqui o que na minha humilde opinião foram os melhores da música portuguesa e música cantada em português no último ano (mais coisa menos coisa):
- Funami - Funami
- Old Jerusalem - Twice the humbling sun
- Humanos - Humanos
- Olga - Olga
- Dead Combo - Vol. 1: Transformadores
- Clã - Vivo; Rosa Carne
- Loosers - For all the round suns
- Margarida Pinto - Apontamento
Mas o que fica na memória não são os álbuns. Apenas o nome: António Variações. E apenas um obrigado!
Tenho uma teoria I: O caso dos presentes desaparecidos

Onde andam os meus presentes de anos?
Tenho o azar de ter nascido a 30 de Dezembro, 5 dias depois do Natal.
Desde criança que a maioria dos presentes que recebo são antecedidos pelo fatal "esta é pelo natal e pelos anos". Mas a verdade é que só recebo um presente e não dois.
Por isso coloca-se a questão: onde estão os meus presentes de anos?
Tenho uma teoria...
Na realidade os meus presentes foram comprados, mas sempre no momento em que a pessoa que o comprou ia a sair da loja, uma dissincronia espacio-temporal transmutava os átomos e as moléculas que os constituiam em radiação gama.
Esta posteriormente passava pelos neurónios das pessoas mais próximas que sofriam uma mutação e viajavam no tempo a uma velocidade superior à da luz para um estado anterior ao da compra, o que justifica o esquecimento das pessoas.
Após isto, a radiação gama provocava o desenvolvimento de um wormhole viajando para uma outra dimensão onde ela era novamente transformada por alienígenas em presentes, que davam às crianças mais desfavorecidas desse mundo (isto é, aquelas que tinham uma deficiência por só terem dois olhos).
Afinal... os meus presentes até desapareceram por uma boa razão.
De certo nessa outra dimensão as crianças estam a emitir gritos ultra-sónicos de contentamento!
28/12/2005
Fiquemos pelo tradicional Natal
Deixo-vos a mensagem que enviei este ano por sms a alguns dos meus ilustres amigos:
Nesta época moderna de competição pela mensagem de Natal mais original, fico-me pelo tradicional:
Feliz Natal!
E já agora: Feliz Ano Novo!
21/12/2005
Dúvidas existenciais IV: O caso dos pombos inteligentes

Tenho uma dúvida existencial... Serão os pombos inteligentes?
INTELIGÊNCIA (In Dicionário de Língua Portuguesa Online): do Lat. intelligentia; s. f., faculdade que tem o espírito de pensar, conceber, compreender; capacidade de resolução de novos problemas e de adaptação a novas situações; talento; compreensão fácil, nítida, perfeita, profunda de qualquer coisa; percepção; pessoa de grande capacidade intelectual;
fig., conluio, ajuste, combinação;(no pl.) entendimentos secretos, combinações.
Vejamos... eles pensam constantemente em depenicar todo e qualquer pedaço de qualquer coisa que se assemelhe a comida e concebem complicados estratagemas para o fazer, enquanto evitam ser pontapeados por um qualquer humano que deles se aproxime ou um carro que venha na sua direcção. Até porque eles compreendem intuitivamente que em estado "esborrachado" será difícil comer.
Têm uma capacidade de resolução de novos problemas e de adaptação a novas situações de invejar. Coloquem arames ou agulhas de metal nos monumentos monumentalmente cagados por estes seres, que eles encontrarão um onde isso não tenha sido feito ou o edifício mais perto.
Têm um talento enorme para se vingarem de nós, enviando um presente envenenado dos céus, qual bomba de humilhação e mau cheiro. A vingança não é um prato frio, mas uma gosma semi-líquida que vem quente, fumegante, escorrente.
Eles têm uma compreensão fácil, nítida, perfeita, profunda de que estes mísseis teleguiados nos atingirão. Se tivessem dentes, eles ririam. Provavelmente apenas estremecem os bicos de prazer, de deleite por tão ousada ousadia. De certo o bico é usado como mira para um perfeito atingir do alvo.
Não são uma pessoa de grande capacidade intelectual, mas de certo já atingiram muitas, o que coloca a questão de quem terá a maior capacidade...
Alguns dirão que tudo isto será um conluio, um ajuste de contas, uma combinação;um conjunto de entendimentos secretos, combinações entre pombos para destruir a nossa sociedade. Eles escondem os seus ninhos de nós (haverá alguém que algum dia tenho visto um ninho de pombo na cidade?). Na verdade, a cidade é o seu ninho! Nós? Apenas a palha, as ervas daninhas que o compoem.
Se isso vos faz sentir bem... continuem a rir-se de nós, enquanto nós nos achamos mais inteligentes que vós. Mas... seremos?
INTELIGÊNCIA (In Dicionário de gaZpar revisto e aldrabado): ofertar aqueles que se acham intelectualmente superiores a nós com dádivas dos céus, em forma de aconchego fumegante; cagar para eles em formato aerodinamico.
16/12/2005
Push the button?
Estaria a dormir? Acordadamente dormido?

O mundo que eu sempre conheci estava a ser invadido, penetrado, violado... e eu? Inconformado.

Pairavam sobre nós como abutres, num mundo de ideiais mortos.
O mundo é bom, o mundo é mau, mas não poder ser bom e ser mau.
Um lado é bom, um lado é mau. Do meu lado é bom, do teu é mau.

Senti-me pisado, espezinhado, esborrachado por tamanha injustiça.
Eu? Apenas a barata!

Lá estão eles. São notícia. Tornaram-se notícia. Fizeram-se notícia.
Já deixou de ser notícia... apenas mais uma mílicia, fardada de justiça.

Aqueles... pobres deles. Apenas mais um robô. E mais outro. E mais outro.
Tudo não passa de um jogo virtual, de dano colateral.

As casualidades são só isso mesmo: casuais.
Também ocasionais, muitas individuais, mas com consequências globais.

Alguém está lá fora a olhar por nós, a zelar por nós. É tudo para nosso bem, para nossa protecção.
Mas então porque soa tudo vago e estranho? Talvez ainda esteja a sonhar...

A luz nos protegerá, aquecerá, iluminará.
Essa luz que vem do céu e que tem do outro lado a terra... que se faz guerra e enterra.
Para quê preocupar? Alguém por nós olhará, matará, mas de certo não sentirá.

Apenas necessitamos de ter fé na civilização.
Eles nos guiarão.

Apenas necessitamos de ter fé na religião.
Eles nos guiarão.

Eles nos hipnotizarão!
Nos controlarão.

E nós? Não haverá nós. Nem voz.
Apenas eles e os outros.
Eles, os de bem.
Bem?

Este mundo é estranho. Não quero mais dormir.
Vou acordar, antes que alguém carregue no botão!

Push the button?
Inspiração e imagens recolhidas no concerto de Chemical Brothers
07/12/2005, Plymouth Pavillions
13/12/2005
Verbatim I: Mudar

Marquês de Pombal, 1930
Eu mudei.
Tu mudaste.
Ele mudou.
Nós mudámos e não voltaremos a ser os mesmos.
Nós aprendemos ou talvez não. Não sabemos. Apenas o desejamos.
Vós mudasteis mais do que eu pensaria. Tu não o esperavas e eu nem sabia o que esperar.
Mas eles... eles não mudaram. Ficaram presos ao passado e não evoluiram.
Eu? Eu mudei. E tu também.
Ficaremos à espero do próximo verbo que se torne passado.
11/12/2005
Pensamentos caústicos VII
Isso quer dizer que ser vegetariano não me serviu para nada?
Merda!
05/12/2005
San Francisco feito de cores e sons

E assim o meu mundo feito de cinzento foi invadido de cores e sons.
A cidade sempre a mesma... mesmas pessoas, mesmos carros, mesmas ruas.
Mas mudou, porque se travestiu de cores e sons.
E assim a mudança de fora veio para dentro e as mesmas pessoas, mesmos carros, mesmas ruas, de alguma forma deixaram de ser as mesmas pessoas, mesmos carros, mesmas ruas, porque também isso mudou.
Assim mudou, transformou e cicatrizou.
Modificou o negro e branco e deu-lhe vida. Despertou.
E assim... assim mudou!

Inpirado num dos melhores anúncios televisivos dos últimos tempos, cuja página oficial se encontra aqui e no qual a cidade de San Francisco foi invadida por milhares de bolas saltitantes e multicolores. A comprovar no video com versão de alta qualidade aqui ou de baixa qualidade aqui.
As imagens são acompanhadas por um músico que para mim foi uma descoberta interessante e original, ainda que beba da mesma fonte SimonGurfankeliana e NickDrakiana que os Kings of Convenience... mas representando uma evolução positiva face ao NAM (new acoustic movement).
Este senhor chama-se José González e podem encontrar um excerto da música que acompanha o anúncio aqui.
O álbum Veneer já toca no meu pc! E vale a pena.
Para ver o video de alta qualidade, é necessário banda larga e instalar a ultima versão do quicktime player.
02/12/2005
Are you local?: League of Gentleman ao vivo

É assim no Reino Unido...
Faz-se uma série televisiva que alcança um relativo sucesso e aproveita-se esse sucesso para ir para a estrada e tentar alcançar outros públicos, no intervalo entre séries (ou no caso dos patrões não quererem continuá-la na TV...).
A "League of Gentleman" é disso exemplo (destronada apenas pelo mais recente sucesso da comédia britânica, denominado "Little Britain").
Para os que esperam ver um espectáculo similar à série televisiva, mas apenas com um cenário maior e interacção... desiludam-se. As personagens são as mesmas, mas o ambiente criado não faz juz à série. Como peça televisiva adaptada ao teatro, não traz muito de original.
Mas olhemos para a peça por si só e esqueçamos a TV. As coisas mudam de figura. Uma das melhores peças de teatro que já vi.
Numa primeira parte, tudo se passa à volta de uma audição para representar uma versão do nascimento de Jesus... oportunidade para eles incluirem a piada: qual a semelhança entre Harry Potter e a Bíblia? Ambos falam de um menino que faz coisas mágicas e têm o mesmo tamanho... Felizmente as piadas foram melhorando.
A segunda parte, dominada pela natureza humana esquizofrénica e negra que dá à série a sua qualidade. Descidas ao inferno, uma versão negra da cinderela (literalmente, pois o príncipe era negro... e a cinderela a mais feia da aldeia), um Carnaval do Rio adaptado a este universo, uma análise veterinária de uma vaca (com a ajuda de uma rapariga do público, que levou como presente gosma verde nos braços) ou um médium que (supostamente) fala com os mortos.
Os que parecem mais normais são talvez os mais loucos e os mais loucos, são sempre loucos. A perversão, sadismo, sarcasmo, ironia... tudo está lá.
O melhor? O casal dono da "Local Shop for Local People". Froid ficaria contente de os estudar como caso clínico, de tanta perversão que por ali anda. "Are you local???"
Algumas aprendizagens:
- A forma politicamente correcta de chamar anão a alguém: People Of Reduced Growth; mas que também é um perigo, pois podem ser chamados de PORGs (semelhante a Pork=carne de porco; gordo).
- "Never sleep with a pig, because if you do, both of you are filthy, but the pig enjoys it..."
Para finalizar, algo que traduz o estado de espírito associado à cidade onde decorreu o espectáculo:
- "Where do you come from my dear?".
- "Plymouth".
- "I am sorry...".
- "From Plymouth".
- "No... I meant, I am really sorry!"
28 Novembro- Plymouth Pavillions
01/12/2005
27/11/2005
Pensamentos caústicos V
Mas se existo logo, não existo agora e nunca existi...
Mas existirei! Ainda há esperança.
26/11/2005
24/11/2005
Pensamentos caústicos I
Nunca sabemos o quanto doi fazê-lo, até passarmos por isso...
18/11/2005
Futurama I
Não preciso dizer que há uma moda de plagiar ou inspirar-se em música já existente. É evidente.
Dos mais indie e alternativos (seja lá o que isso quer dizer) aos mais usa-e-deita-fora e comerciais, (quase) todos o fazem.
E parece haver um padrão... ora vejamos o caso dos mais ou menos indie e alternativos.
Os pré ultra difundido plágio
Podemos dizer que a britpop foi o sinal de que o apocalipse das ideias originais estava próximo.
Os Oasis imitavam os Beatles (ou tocavam os acordes deles em ordem inversa... vai dar ao mesmo), os Blur imitavam os Smiths. Os outros imitavam todos os outros e mais estes.
Alguém percebeu que estaria aqui uma mina de platina.
Os quase originais mas ainda plágio
Mais ou menos na mesma altura vigorava a lei do Grunge. Kobain era o rei. O rei morreu, viva o rei (qualquer semelhança com o rei Elvis é completamente propositada).
Os Nirvana foram classificados como originais, os líderes do Grunge. Do Grunge nada tinham de igual excepto a cidade de origem (Seatle). De original... bebiam da fonte de inspiração dos Pixies, Sonic Youth, Mudhoney, Melvins e outros similares.
Os tais do Grunge, aninhavam-se nos braços do avô Neil Young e juntavam-lhe distorção.
Descrição simplista, mas realista.
O rei morreu... acabou a criação, a imaginação.
De volta ao passado recente, de plágio presente
Apesar de algumas tentativas como é exemplo o Tripop, o caso parecia complicado.
Na ausência de ideias e com casos bem sucedidos de plágio no passado (vide Oasis), a fórmula parecia simples. Tocar como no passado com a tecnologia de hoje.
Mas tudo pareceu processar-se com uma certa ordem cronológica.
Os setentialistas
Apareceram ou tornaram-se famosas bandas inspiradas nos anos 60/70 como os White Stripes, The Strokes, The Datsuns, Kings of Leon, The Hives, The Coral, The Darkness (estes deviam ter a sua própria categoria...), The Raveonettes e tudo o que tivesse um "The" antes do nome. Os Dandy Warhols já por cá andavam.
Os electrocto
Desta feita chegaram os electroclash e electro-qualquer-coisa-que-soe-a-anos-80-e-um-pouco-a-70s. The Killers, The Bravery, Fischerspooner, Scissor Scisters, Maximo Park, LCD Soundsystem, Franz Ferdinand, Interpol, Bloc Party, The Faint, Dead 60s, Kaiser Chiefs, Arctic Monckeys, The Strokes, VHS or Beta, Chromeo, The Futureheads, The Rapture, Radio4 e outros tantos. Talvez seja injusto estarem todos no mesmo saco... ou talvez não.
Os novesgrunge
Chegou a vez dos anos 90. Venham os Autolux, BabyShambles, Nine Black Alps, Subways, The Strokes (mais uma vez) e outros que estão para aparecer.
Os NotYouToo
Para além dos representantes de décadas, há os representantes de conceitos e de bandas...
Veja-se o caso dos Kaiser Chiefs, The Streets, Kasabian, Graham Coxon, Supergrass e Stereophonics (estes três ainda se mantêm da primeira leva), os novos representantes do britpop (os Blur continuam a ser uma influência).
Os Oasis, que há muito deixaram de imitar os Beatles para se imitarem a eles próprios.
Ou mais flagrante, os Coldplay, que deixaram de representar os Radiohead e agora querem ser U2. Atrás deles, veio toda uma onda de "quero ser como os coldplay, por isso arrangem-me um piano", sendo os Keane os seus mais fiéis seguidores. O problema: a partir daqui toda a banda que tenha piano soa a Coldplay...
Os deixa-lá-ver-o-que-vem-para-aí
Poucos representantes nesta categoria. São aqueles que começam a ficar velhitos, mas evoluiram. Cresceram. São originais e ainda despertam interesse.
Radiohead, Massive Attack, Nine Inch Nails, Depeche Mode, The Cure, Low, Calexico, Muse, Bjork e muitos outros felizmente!
Muita coisa ficou de fora, mas a ideia é: olhem para a evolução de uma banda como os The Strokes e percebem o que digo. Começaram nos 60/70 no primeiro álbum, passaram pelos 80 no segundo e estão nos 90 agora no terceiro (pelo que o 1º single "Juicebox" dá a ver). Será que vão fazer algo original nos próximos?

Foto retirada de: http://www.reviewjournal.com/webextras/gallery/stroud/ent23.html
15/11/2005
Como queimar 98% dos neurónios em menos de 24h

Nunca até hoje, no mesmo dia, usei recursos mentais de forma tão diferente.
Aos meus neurónios foi-lhes exigido pensar em termos concretos, passando aos abstractos e voltando aos concretos.
Uma parte de mim discorre em pensamentos daquilo que é palpável, tangível e mensurável.
O universo explicado em números, traduzido em coeficientes, numa diarreia matemática verbal e escrita. Sinto-me um cientista, experimentando, calculando, controlando... imergindo-me numa análise analítica, crítica e científica. O saber protege-me, defende-me da subjectividade. Promove a objectividade, a frieza e imparcialidade. Estou seguro.
Deixei de o estar.
Viajo pela mente de um filósofo e perco-me dentro dele.
O chão parece fugir-me dos pés, sinto-me a flutuar mas não sei o que sinto por causa disso. Passa-me pela cabeça que o consumo de opiáceos deverá produzir um efeito semelhante.
A parte científica de mim parece envergonhada e teima em esconder-se, assustada.
O universo é agora explicado por aquilo que pensamos que ele significa. É traduzido em ideias, insights, de características imaginadas, inalteradas e incontroladas. Não há códigos ou filtros. Sai como sai e cada um lhe atribui um significado... nem sempre partilhado.
Qualquer tentativa de experiência traduz-se em empiricismo, em observado ou pensado. Sinto-me inseguro, mas ao mesmo tempo mais próximo de uma verdade que os métodos científicos actuais não conseguem interpretar. Imergido em subjectividade, emotividade e parcialidade.
Volto a procurar a segurança. Volto ao concreto, ao que é palpável, tangível e mensurável.
Respiro de alívio. Mas por alguma razão sinto-me mais longe da verdade, da imaginação, da criatividade. Da possibilidade de criação de novos teorias, baseadas em novas ideias e discussões.
Volto a sentir-me inseguro, mas agora na suposta segurança.
A solidez já na me parece tão sólida. A objectividade parece algo subjectiva.
Talvez em vez de alternar, devesse utilizar os dois pensamentos em simultâneo.
Não preciso de dois cérebros. Apenas de me libertar das inibições de cada um deles. Libertar-me.
Com os 2% de neurónios que restaram, vou sonhar com essa possibilidade enquanto calculo as probabilidades de isso acontecer um dia...
Reflexões esquizofrénicas causadas por: Realização de análises estatísticas baseadas em regressões múltiplas, passando ao pensamento crítico sobre um texto de Wittgenstein acerca da filosofia da mente e voltando à regressão logística e modelos log-linear.
13/11/2005
Apenas mais um comboio
Às vezes estamos na estação errada, outras na carruagem errada.
Às vezes as pessoas à nossa volta estão erradas, outras as coisas dentro de nós estão erradas.
Às vezes a linha é amarela, verde, vermelha, azul... outras não passa de um túnel negro.
Às vezes queremos ir para um sítio mas a linha ainda não foi construída.
Outras queremos ir para onde sempre fomos e vemos que de dia para dia as linhas se deterioram.
Às vezes as linhas cruzam-se e mudamos de umas para outras. Outras vezes queremos apenas ir directos para onde queremos ir.
Para alguns a luz ao fundo do túnel é esperança, para outros é apenas mais um comboio.
Por vezes até chegamos a pensar como seria comandar essas linhas e esses comboios, mas acabamos sempre por nos deixar guiar, seguir e conformar. É a regra.
Todos os dias mais do mesmo... mesmas linhas, cruzamentos, entroncamentos de sentimentos.
Por vezes desviamo-nos do comboio, outras somos trespassados por ele.
Por vezes somos apanhados sem bilhete e tentamos fugir. Mas acabamos sempre por voltar.
Voltar e apanhar... apenas mais um comboio. E esperar... esperar ou tentar mudar de lugar... ou apenas parar.
E deixar... andar.
The Subways - Young for eternity
10/11/2005
Bem vindos ao mundo de Lauro Dermio
Lembram-se da personagem do Herman, o crítico de cinema Lauro Dérmio?
Pois traduzam este blog aqui e vão rir de certeza. Prometo!
Ou então o meu outro blog traduzido para português (do Brasil...).
É uma experiência totalmente alucinante sem recorrer a químicos.
Muuuuito bom!
Obrigado ao senhor zoick pela ideia. ;)
06/11/2005
Vejo que tem um mal estar no coração

Entre por favor. Estou aqui para o curar.
Vejo que tem um mal estar no coração. Talvez uma injecção de alegria o ajudasse, mas temo que os anticorpos da solidão reduzissem a eficácia do tratamento.
Penso que um pouco de exercício ajudará. Ponha os músculos do coração a trabalhar de tempos a tempos.
Olhando para as suas artérias sob pressão, imagino que a actividade cerebral seja intensa. Aconselho cozinhar os seus pensamentos em lume brando juntando sumo de tranquilidade, até chegar ao ponto de relaxamento e cristalização.
Poderá prevenir qualquer gripe se descansar em casa, mas quando sair recomendo agasalhar-se de amigos e aquecer-se nas suas palavras.
Ingira uma colher de sabedoria duas vezes ao dia e três de ponderação. Mas pondere sobre isso. Não queira dar imagem de sabedor, sem nada saber.
Recomendo umas análises aos “maus figados” e às “dores de cotovelo” pois poderá criar em si uma maldade crónica, incurável, insuportável.
Seja paciente, senhor paciente e aguarde a evolução da sua situação.
Siga o tratamento e quem sabe não precise de nenhuma operação ou intervenção de melhoramento do coração.
A saída é no terceiro piso, ala 4. Tenha uma boa tarde!
29/10/2005
Faça favor de passar: Bloc Party e Patrick Wolf em concerto

Entremos.
Sítio interessante este. Parece mais um pub com espaço para concertos do que uma sala de espectáculos. Talvez por isso toda a gente esteja com uma "pint" na mão. Maioritariamente adolescentes. Explica-se pela paragem no calendário escolar por alguns dias.
Entrámos.
Parece que já começou alguma coisa... está uma figura estranha no palco... Mas não era suposto ser só um concerto de Bloc Party? Parece que trouxeram um convidado. Espera... parece... não pode ser... não tenho assim tanta sorte... sim! É ele! Um bónus inesperado. É o...
Patrick Wolf - Imaginemos uma mistura entre os Dandy Warhols e uma versão mais jovem (twenty something) do Antony e obtemos este moço.
Vestido com se de um boneco de pano se tratasse, com um meio capuz preso ao cinto por uma fita de tecido e um cabelo (e não só) a fazer lembrar o senhor Courtney Taylor-Taylor dos Dandy Warhols.
Um piano e guitarras acústicas para ele, um violino para a senhora e uma bateria para o outro senhor e está o espectáculo montado.
Impressiona. Pela imagem, pela simplicidade das músicas, pela inocência arty e pela força acústica que quase faz esquecer que é acústica.
Perde. Pela falta de alguns instrumentos que preenchessem alguns dos vazios nas músicas, aqueles espaços de som puro mas inacabado.
Valeu o esforço de convencer a plateia semi-bêbeda que aplaudiu a saída de forma efusiva. O moço deve ter ficado contente sim senhor.
Esperemos.
Sim, sim. Quer passar para ir ter com os seus amigos? Concerteza. Excuse me? Of course. Deixou a sua mulher grávida no centro da plateia? Sim. Passe. É primeiro ministro da Grunholândia? Por quem é. Querem parar de passar à nossa frente por favor!??? Damn!!!
Esperámos.
E aí vêm eles.
Bloc Party - Olhar para os Bloc Party é como olhar para uma versão reduzida das nações unidas. Ele é raízes anglo-saxónicas, chinesas e africanas. Representam parte do mundo. E quem bem que eles representam. Mas a representação pára aí.
Toda a sua actuação foi genuína. Podia dizer que eram a banda mais alegre e feliz do mundo... e suada. Como eles próprios disseram, quando se sua muito é porque o concerto está a ser bom. Não houve qualquer referência ao cheiro envolvido.
Duas ou três músicas novas (incluindo o dançável Two More Years, que amavelmente ofereceram às "senhoras que dançam muito bem nas bancadas") e as músicas do álbum Silent Alarm com alguns laivos pós album de remixes (tocar a versão feita com os Death From Above 1979 em vez da original foi um exemplo).
Se se diz que os ingleses são um público frio, nunca devem ter visto um concerto de Bloc Party nestas paragens. Todas as músicas tinham eco, movimento e copos voadores (meio cheios... ou será meio vazios?).
Eles, o centro das atenções, são representantes de vários estados de espírito. A alegria e raiva contida do vocalista, a timidez do guitarrista, o ar british e intelectual do baixista e as explosões de energia do baterista (como de um corpo tão magro sai tanta força?), combinaram-se e proporcionaram um espectáculo bastante bom.
"We're gonna win this"... and they won!
25 Outubro de 2005, Carling Academy, Bristol
24/10/2005
Dúvidas existenciais III - o caso dos hetero-flexíveis

Tenho uma dúvida existencial...
Recentemente um amigo ensinou-me uma nova palavra: hetero-flexível. Que significa isso?
- HETEROSSEXUAL - adj. 2 gén., relativo à atracção ou ao comportamento sexual entre dois indivíduos de sexo diferente; designativo do enxerto dos órgãos genitais com transplantação cruzada que masculiniza as fêmeas e feminiza os machos (ok... esta não compreendi...); s. 2 gén., indivíduo heterossexual (In Dicionário de Língua Portuguesa Online).
HETEROFLEXÍVEL - do Lat. heteroflexibilis; s. 2 gén., indíviduo heterossexual que se pode dobrar, curvar, que é facil de dobrar; maleável, submisso e complacente (In Dicionário de gaZpar, versão revista e aldrabada).
Portanto, será alguém que apesar de estar habituado a vaginus lambensis (peço desculpa pelo nível), também gosta de se dobrar de vez em quando, submetendo-se à vontade de terceiros, quartos ou a quem quiser...
Portanto é alguém que dirá: "Ok. Vou ali e já venho!". Mas nem todos voltam...
21/10/2005
And now for something completely weird: Carnivale

And now for something completely weird...
Sparkling tooth, I see, with my fairy poison eyes.
Então experimentem ver a série Carnivale da HBO.
O melhor que já vi do género, desde os X-Files e Twin Peaks. A não perder, em DVD ou por milagre na TV...


