15/11/2005

Como queimar 98% dos neurónios em menos de 24h

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Nunca até hoje, no mesmo dia, usei recursos mentais de forma tão diferente.
Aos meus neurónios foi-lhes exigido pensar em termos concretos, passando aos abstractos e voltando aos concretos.

Uma parte de mim discorre em pensamentos daquilo que é palpável, tangível e mensurável.
O universo explicado em números, traduzido em coeficientes, numa diarreia matemática verbal e escrita. Sinto-me um cientista, experimentando, calculando, controlando... imergindo-me numa análise analítica, crítica e científica. O saber protege-me, defende-me da subjectividade. Promove a objectividade, a frieza e imparcialidade. Estou seguro.
Deixei de o estar.

Viajo pela mente de um filósofo e perco-me dentro dele.
O chão parece fugir-me dos pés, sinto-me a flutuar mas não sei o que sinto por causa disso. Passa-me pela cabeça que o consumo de opiáceos deverá produzir um efeito semelhante.
A parte científica de mim parece envergonhada e teima em esconder-se, assustada.
O universo é agora explicado por aquilo que pensamos que ele significa. É traduzido em ideias, insights, de características imaginadas, inalteradas e incontroladas. Não há códigos ou filtros. Sai como sai e cada um lhe atribui um significado... nem sempre partilhado.
Qualquer tentativa de experiência traduz-se em empiricismo, em observado ou pensado. Sinto-me inseguro, mas ao mesmo tempo mais próximo de uma verdade que os métodos científicos actuais não conseguem interpretar. Imergido em subjectividade, emotividade e parcialidade.

Volto a procurar a segurança. Volto ao concreto, ao que
é palpável, tangível e mensurável.
Respiro de alívio. Mas por alguma razão sinto-me mais longe da verdade, da imaginação, da criatividade. Da possibilidade de criação de novos teorias, baseadas em novas ideias e discussões.
Volto a sentir-me inseguro, mas agora na suposta segurança.
A solidez já na me parece tão sólida. A objectividade parece algo subjectiva.

Talvez em vez de alternar, devesse utilizar os dois pensamentos em simultâneo.
Não preciso de dois cérebros. Apenas de me libertar das inibições de cada um deles. Libertar-me.

Com os 2% de neurónios que restaram, vou sonhar com essa possibilidade enquanto calculo as probabilidades de isso acontecer um dia...

Reflexões esquizofrénicas causadas por: Realização de análises estatísticas baseadas em regressões múltiplas, passando ao pensamento crítico sobre um texto de Wittgenstein acerca da filosofia da mente e voltando à regressão logística e modelos log-linear.

9 comentários:

Tongzhi disse...

A diareia matemática é que não gostei muito... mas como és tu que escreves vou relevar!
Pelos vistos, por essas bandas, dá-se com força num dos paradigmas de investigação mais conservador... Viva a estatistica e os seus modelos interpretativos!!!

gaZpar disse...

eh eh. desculpe sr. professor! :D Não é o paradigma vigente. É apenas algo que tivemos de dissertar sobre... (que bem que ele fala).
abraço

Tongzhi disse...

Ah!
Menos mal. Dissertar sobre isso deve ser bom!

gaZpar disse...

Não quando tens outras coisas para fazer e no dia a seguir tens discutir o tópico às nove da manhã... eh eh

Kraak/Peixinho disse...

Diarreia matemática? Priminho, esta área é minha :S Calma lá! LOL.

Hugzzz probabilísticos

gaZpar disse...

Já estão a aparecer demasiados matemáticos aqui. Parece uma praga. eh eh

Urso disse...

Belo texto (as usual...) :)!
Hugs

Tongzhi disse...

Menino Gazpar, PRAGA????
Essa tu vais pagar ;)

gaZpar disse...

Urso & Kraak: obrigado. :) como sempre posso contar com a vossa presença.
Tongzhi: para pagar teria de fazer cálculos, mas neste momento não posso ver números à frente! ou matemáticos! eh eh