18/11/2005

Futurama I

Terá a moda da retromúsica os dias contados?
Não preciso dizer que há uma moda de plagiar ou inspirar-se em música já existente. É evidente.
Dos mais indie e alternativos (seja lá o que isso quer dizer) aos mais usa-e-deita-fora e comerciais, (quase) todos o fazem.
E parece haver um padrão... ora vejamos o caso dos
mais ou menos indie e alternativos.

Os pré ultra difundido plágio
Podemos dizer que a britpop foi o sinal de que o apocalipse das ideias originais estava próximo.
Os Oasis imitavam os Beatles (ou tocavam os acordes deles em ordem inversa... vai dar ao mesmo), os Blur imitavam os Smiths. Os outros imitavam todos os outros e mais estes.
Alguém percebeu que estaria aqui uma mina de platina.

Os quase originais mas ainda plágio
Mais ou menos na mesma altura vigorava a lei do Grunge. Kobain era o rei. O rei morreu, viva o rei (qualquer semelhança com o rei Elvis é completamente propositada).
Os Nirvana foram classificados como originais, os líderes do Grunge. Do Grunge nada tinham de igual excepto a cidade de origem (Seatle). De original... bebiam da fonte de inspiração dos Pixies, Sonic Youth, Mudhoney, Melvins e outros similares.
Os tais do Grunge, aninhavam-se nos braços do avô Neil Young e juntavam-lhe distorção.
Descrição simplista, mas realista.
O rei morreu... acabou a criação, a imaginação.

De volta ao passado recente, de plágio presente
Apesar de algumas tentativas como é exemplo o Tripop, o caso parecia complicado.
Na ausência de ideias e com casos bem sucedidos de plágio no passado (vide Oasis), a fórmula parecia simples. Tocar como no passado com a tecnologia de hoje.
Mas tudo pareceu processar-se com uma certa ordem cronológica.

Os setentialistas
Apareceram ou tornaram-se famosas bandas inspiradas nos anos 60/70 como os White Stripes, The Strokes, The Datsuns, Kings of Leon, The Hives, The Coral, The Darkness (estes deviam ter a sua própria categoria...), The Raveonettes e tudo o que tivesse um "The" antes do nome. Os Dandy Warhols já por cá andavam.

Os electrocto
Desta feita chegaram os electroclash e electro-qualquer-coisa-que-soe-a-anos-80-e-um-pouco-a-70s. The Killers, The Bravery, Fischerspooner, Scissor Scisters, Maximo Park, LCD Soundsystem, Franz Ferdinand, Interpol, Bloc Party, The Faint, Dead 60s, Kaiser Chiefs,
Arctic Monckeys, The Strokes, VHS or Beta, Chromeo, The Futureheads, The Rapture, Radio4 e outros tantos. Talvez seja injusto estarem todos no mesmo saco... ou talvez não.

Os novesgrunge
Chegou a vez dos anos 90. Venham os Autolux, BabyShambles, Nine Black Alps, Subways, The Strokes (mais uma vez) e outros que estão para aparecer.

Os NotYouToo
Para além dos representantes de décadas, há os representantes de conceitos e de bandas...
Veja-se o caso dos Kaiser Chiefs,
The Streets, Kasabian, Graham Coxon, Supergrass e Stereophonics (estes três ainda se mantêm da primeira leva), os novos representantes do britpop (os Blur continuam a ser uma influência).
Os Oasis, que há muito deixaram de imitar os Beatles para se imitarem a eles próprios.
Ou mais flagrante, os Coldplay, que deixaram de representar os Radiohead e agora querem ser U2. Atrás deles, veio toda uma onda de "quero ser como os coldplay, por isso arrangem-me um piano", sendo os Keane os seus mais fiéis seguidores. O problema: a partir daqui toda a banda que tenha piano soa a Coldplay...

Os deixa-lá-ver-o-que-vem-para-aí
Poucos representantes nesta categoria. São aqueles que começam a ficar velhitos, mas evoluiram. Cresceram. São originais e ainda despertam interesse.
Radiohead, Massive Attack, Nine Inch Nails, Depeche Mode, The Cure, Low, Calexico, Muse, Bjork e muitos outros felizmente!

Muita coisa ficou de fora, mas a ideia é: olhem para a evolução de uma banda como os The Strokes e percebem o que digo. Começaram nos 60/70 no primeiro álbum, passaram pelos 80 no segundo e estão nos 90 agora no terceiro (pelo que o 1º single "Juicebox" dá a ver). Será que vão fazer algo original nos próximos?

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Foto retirada de: http://www.reviewjournal.com/webextras/gallery/stroud/ent23.html

10 comentários:

gaZpar disse...

Prometo que vou parar esta mania de escrever textos gigantes, que tenho tido nos últimos posts!!!

inixion disse...

na sei porke ;)

Urso disse...

Caramba, pareces uma "enciclo-musico-pédia"! (li tudo)
Abraços

gaZpar disse...

eh eh. obrigado!

gonn1000 disse...

Bom post, fizeste um balanço interessante.

Nic disse...

temos que admitir que se torna cada vez mais dificil, criar algo de novo num mundo saturado onde somos constantemente bombardeados de informacao a todos os niveis...

Lampejo disse...

A originalidade vai faltando...

gaZpar disse...

O difícil não é criar algo de novo e original. Há muito boas coisas por aí.
O difícil é conseguir apoios para continuar e que os "decisores" arrisquem nos novos valores!
Veja-se o caso de Lisboa com o reduzido número de casas de espectáculos e apoio em termos de espaço disponível para novas bandas. Eu já tive essa experiência e de facto funciona muito por amiguinhos, quando não se é conhecido!

Kraak/Peixinho disse...

Interessante resenha esta, mas julgo que vou ter que te mandar um mail sobre os Strokes :)

Parabéns.

Hugzz musicais

Cidadão do Caos disse...

-dEUS-