27/09/2005

Debaixo de um telhado de chumbo

Vivo debaixo de um telhado de chumbo.
Dia, noite... ele é cinzento.
É esta cidade, este país, as pessoas... são assim.
Por vezes chove, por vezes não.

Antes fosse eu a decidir, mas não sou!
E este telhado de chumbo, que raramente me deixa ver o sol?!
Antes telhados de vidro lusos, solarengos!

Claro que também são cinzentos por vezes...
Com chuva que pesa sobre nós, de tão forte que é.
Mas pelo menos o sol diz-nos um olá tímido no Inverno e da um valente abraço envolvente no Verão.
Sei que tenho de continuar debaixo deste telhado.

Tenho... mas não é esforço, é voluntário.
Até porque tenho um abrigo que em tão pouco tempo já se tornou uma casa... uma "primeira" casa, que me protege deste telhado... deste chumbo que envenena a alegria.

Mas não a mim, que do abrigo fiz antídoto, panaceia.
Quem sabe um dia surja uma janela neste telhado e também aqui o sol perca a timidez.

E talvez aí me aqueça, quem sabe me abrace.
Fico à espera.
Ouviu sr. sol?

9 comentários:

Lampejo disse...

Vê-la não deixes que o sr. sol te dê um longo e caloroso abraço, ainda ficas todo chamuscado. ;)
Talvez te perceba, quem sabe um abraço também ele caloroso, não de o sr. sol, de outro “astro” te saiba também ele melhor e ajude a esquecer...

av disse...

Presumo, portanto, que já estás em terras de sua magestade!
Boa sorte, por aí, "crido".

Catatau disse...

Os telhados de chumbo protegem das radiações. Como os corações de chumbo protegem das desilusões. Mas o chumbo, já se sabe, contamina e envenena, desfazendo esperanças e inquinando as emoções...
O que importa mesmo são os nossos tectos iluminados, aqueles que nos aquecem as ideias e nos confortam o gesto. Mesmo de longe - tal como um farol - a recordação de telhados ensolarados, guia a nossa vontade, amparando-a, até chegar a um bom porto, alheio a coberturas plúmbias e desconsoladas.
Pode ser que o sol abrace, mas devagar, devagarinho, talvez a poesia dos cinzentos se insinue, lenta e já familiar, aninhando-se no teu peito. :)

Kraak/Peixinho disse...

Eich! Vives num farol! :D Apesar do gray do céu, estás ao pé do mar. Vá, naum te queixes, tb há dias bonitos por aí.

Hugzzz ensolarados

gaZpar disse...

Nao e uma queixa, mas a constatacao de uma inevitabilidade por estes lados. E como os teclados sem acentos... tenho de viver com eles e pronto. :D

gaZpar disse...

Obrigado "crida! AV...C ;)

Tongzhi disse...

E vais viver bem, de certeza!!!
E qdo vieres nas "festas", vais ver que o sol brilhará para ti

:)

gaZpar disse...

Ha festas a minha espera quando voltar? Uauuuu. eh eh

av disse...

Festas???
Claro que sim, basta dizer quando e onde. Prometo que levo as botas da tropa, para não desertar...